“Mãe, tô na tela!”

Graziela Cupertino

Pokémon, McDonald’s, Backstreet Boys, Johnny Depp, Star Wars e He-Man: é assim, cheio de referências à cultura pop, que o filme “Apenas o Fim” traça o retrato da geração dos anos 90. E não teria como ser diferente, já que o diretor do longa está no auge de seus vinte aninhos e tudo o que fez foi contar a história de sua própria tribo.

O nome dele é Matheus Souza e ele estuda cinema na PUC-Rio. Junto com alguns colegas de curso, resolveu fazer uma coisa diferente daquilo que a universidade estava acostumada a ver. E assim nasceu o primeiro longa-metragem da PUC-Rio e da vida de Matheus. O baixo orçamento de “Apenas o Fim” não o impediu de se espalhar por aí: foi selecionado para vários festivais e ganhou prêmios como o de Melhor Filme do Júri Popular na 32ª Mostra Internacional de São Paulo.

E quem mais se rende ao filme é, sem sombra de dúvida, o público jovem. “Apenas o Fim” pertence à geração que está agora com seus 18, 20 anos. Nós que decoramos os nomes e poderes de todos os Pokémons, nós que cantávamos ‘N Sync loucamente, nós que pedíamos McLanche Feliz: “Apenas o Fim” é nosso, é único! Como diria Antônio, personagem do filme, “é tipo um nº 1, só que sem o picles”. Talvez seja por esse sentimento de identificação que o filme encante tanto. Quantas pessoas já não quiseram ter suas vidas contadas no cinema? Quantas já não quiseram viver um filme?

Para a geração dos anos 90, isso se tornou possível, e com uma história bem simples. “Apenas o Fim” começa com Antônio (ou Tom, para os íntimos) recebendo a notícia de sua namorada de que ela iria fugir. Os dois teriam apenas mais uma hora juntos até que ela partisse. Em apenas 60 minutos, eles teriam que se despedir de tudo o que viveram juntos. Assim, o filme se desenrola: embalados por uma trilha sonora cativante, Tom e sua namorada vão andando pela universidade, recordando seus momentos, encontrando alguns amigos e esperando o fim.

Mesmo cheio de nostalgia, “Apenas o Fim” consegue ser leve. E ele prova que falar de amor, afinal, pode não ser tão clichê assim!

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