10 Segundos Para Vencer brilha mesmo com história controversa

Um filme nacional sobre esporte. Não, não é sobre futebol. Nem Fórmula 1 ou tênis. É sobre boxe. 10 Segundos Para Vencer (2018) vem de encontro a tudo que esperamos de um filme brasileiro nos últimos anos e já conta com um elenco de peso, dentre os quais Daniel de Oliveira, que cobiçava o papel há tempos.

O filme conta a história de Eder Jofre. Pra quem não era vivo nos anos 70, pode ser a primeira vez que esteja vendo este nome, mas o sujeito é considerado o maior boxeador brasileiro da história. E antes de mais nada, ele ainda está vivo, no auge dos seus 82 anos.

(Imagem: Divulgação/Imagem Filmes)

Pois bem, como todo bom filme do gênero, a história começa com a infância de Eder (Daniel de Oliveira) e como surgiu o interesse pelo esporte. Acontece que seu tio por parte de mãe, o Zumbanão (Ricardo Gelli), era um boxeador de sucesso nos ringues de São Paulo e era treinado por Kid Jofre (Osmar Prado), o pai do protagonista. A carreira dele parecia próspera, até que seu jeito briguento e boêmio destruiu suas chances de ser um pugilista de nível internacional, o que deixou Kid arrasado. Impactado pela tristeza do pai, Eder promete ser um lutador campeão.

A partir daí, passamos pela adolescência e início da vida adulta do rapaz até suas primeiras lutas oficiais, com os treinos pesados e a cobrança incessante e severa do pai. É importante dizer que praticamente tudo em 10 Segundos Para Vencer se baseia na relação de Eder com seus familiares. Apesar de sua namorada (e futura esposa) e seu tio entrarem nessa equação com peso considerável, quem mais interfere emocionalmente com a vida do lutador é Kid. Pra se ter uma ideia, a relação de Eder com o pai é de tamanha dependência que em certa altura do filme já estamos esperando a hora em que o protagonista irá se rebelar contra seu treinador e viver feliz para sempre. Isso, no entanto, não acontece.

Mas a história não se desvaloriza por causa disso, muito pelo contrário, foi desse jeito que ocorreu na vida real. O que temos, na verdade, é uma história muito envolvente sobre uma figura que é pouco conhecida pela população mais jovem, mas que nos surpreende justamente por esse motivo.

(Imagem: Divulgação/Imagem Filmes)

O filme todo é muito bonito e bem feito. A trilha sonora dita a forma como devemos nos sentir a cada parte de 10 Segundos Para Vencer, seja em uma cena de luta, em uma cena de tensão, ou em uma cena de angústia, sem nunca passar despercebida pelo espectador.

A fotografia também surpreende. É fácil notar como ela compõe parte importante do filme, com seus ângulos inusitados e imersão nas cenas, esta última confirmada como proposital pelo diretor José Alvarenga Jr. em coletiva de imprensa, com o intuito de aproximar o espectador do personagem. Fora isso, 10 Segundos Para Vencer arrisca muito ao mesclar cenas do filme com cenas reais de luta de Eder, e não que a transição tenha ficado perfeita, mas ficou muito mais imperceptível do que a de outros filmes que tentaram o mesmo feito.

A soma de um roteiro, uma trilha sonora e uma fotografia de darem orgulho ao cinema brasileiro acaba por trazer um filme que, se você vacilar, vai esquecer de que o que está acontecendo na tela não é real.

10 Segundos Para Vencer estreia dia 27 de setembro. Confira o trailer abaixo:

 

por Bruno Menezes
brunomenezesbaraviera@gmail.com

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