Colossal: humanizando a narrativa do monstro

O filme Colossal (Colossal, 2017), que tem previsão para estrear no Brasil no dia 15 de junho, foi roteirizado e dirigido por Nacho Vigacondo e tem como atriz principal Anne Hathaway de O Diário da Princesa (The Princess Diaries, 2001) e O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006). O filme conta a história de Glória, interpretada por Hathaway, que por não ter um emprego, enfrentar problemas com o alcoolismo e terminar com o namorado, deixa Nova York e volta para sua cidade natal (que não fica claro no filme onde é, mas sabe-se que o filme foi dirigido predominantemente no Canadá) para tentar recomeçar a vida. Contudo, ela descobre que ataques de um monstro em Seul (Coréia do Sul) de alguma forma estão ligados  à sua própria pessoa.

O filme, que em 2015, em meio a suas gravações, encontrou problemas por ser acusado de plágio pelos donos dos direitos de Godzilla, conseguiu seguir as filmagens através de um acordo e manteve-se fiel a ideia de criar uma criatura gigante que destruísse uma grande metrópole. As semelhanças com as histórias do monstro criado pelos japoneses não acabam por aí, há uma batalha entre dois monstros na qual um deles apresenta-se como um suposto protetor da cidade, assim como, no final, Godzilla, mostra ser.

 

No entanto, não é nos monstros que o filme foca. Por mais que o título remeta a uma narrativa composta de grandes aventuras na qual prédios serão destruídos, carros arremessados, milhares de pessoas correrão de um lado para o outro o tempo todo, é em um bar e em um parque infantil onde as cenas são preferencialmente construídas. Percebe-se que vida de Glória é o centro do filme, fazendo com que ele se enquadre em certos momentos, mais como uma comédia romântica. Certas cenas de ação são lançadas para contextualizar a história mas não parecem se justificar e se encaixar ao gênero antes proposto. Dessa forma, o filme não consegue cumprir sua função narrativa que é unir a história de vida da personagem principal com as cenas de ação (ou suas suposições). Não sendo, portanto, nem um bom filme de ação, nem um bom filme de comédia.

As atuações de Anne Hathaway são o ponto positivo do longa metragem. A atriz consegue trazer expressividade para a sua personagem fazendo com que a história se torne um pouco mais palpável. O roteiro escrito por Nacho, no entanto, é simplório e possui reviravoltas novelescas e desnecessárias. O colega de infância de Glória, Oscar, interpretado pelo ator Jason Sudeikis, por exemplo, possui um desfecho mal construído, uma vez que há uma quebra brusca no paradigma que a personagem desenvolvia e isso causa um estranhamento para o público. Outro personagem mal construído é o ex-namorado de Glória, Tim, vivido por Dan Stevens, que recentemente esteve no elenco de A Bela e a Fera (Beauty And The Beast, 2017) como a Fera e em Colossal encontra-se completamente apagado. 

Mesmo com um roteiro desconexo, o filme consegue prender o espectador à história por conta de determinadas cenas, como a luta de Glória com Oscar, e a própria expectativa acerca do desenrolar do enredo. Para quem busca ação, não é um filme indicado, já que seu objetivo é humanizar a narrativa de monstro e focar na personagem principal e em sua própria história.

Confira o trailer:

Por Camilla Freitas
camilla.freitasoares@gmail.com

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