12ª Mostra Mundo Árabe de Cinema – Assombrados

Este filme faz parte do 12ª Mostra Mundo Árabe de Cinema. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

O festival teve início no dia 9 de agosto e permanecerá no Cinesesc até o dia 16 do mesmo mês.

 

Lição de casa: assista a este filme. O termo “lição de casa” é interessante de se usar para avaliar Assombrados (Maskoon, 2014). Este, além de um filme, é mais especificamente um documentário. É importante de se ter em mente tal informação. O intuito principal da película, e seu ponto forte, é o comprometimento com a veracidade na captação da atmosfera da vida de sírios e palestinos condenados, pela guerra, a se enclausurar em suas casas e, eventualmente, a se tornarem refugiados.  O documentário, basicamente, se resume aos relatos presenciais, até mesmo pela internet, de algumas pessoas que se encontram na situação já mencionada.

Assombrados é o quarto trabalho da diretora síria Liwaa Yazji. É perceptível o caráter amador da filmagem. Os takes são, usualmente, realizados sem o auxílio de um tripé ou de um equipamento que estabiliza a filmagem. O tremer da câmera é visível. Talvez, seja para causar um incômodo no espectador, o qual se depara com uma realidade remota. O início do filme, por exemplo, marcado pela obscuridade e pela turbidez, é perturbador e, provavelmente, intencional. Todavia, é possível que seja apenas um descuido de filmagem.

O desleixo técnico é um dos principais problemas do filme. Não há um padrão técnico entre as diversas cenas do documentário. A qualidade da câmera, simplesmente, ascende e decai em um fator quase aleatório. Isso se agrava nas cenas que envolvem o uso do Skype para se comunicar com um casal sírio. Porém, é injusto de se cobrar tamanho rigor técnico de uma produção independente síria. É interessante como Yazji apresenta alguns conceitos básicos de gravação, como a regra dos terços, e tenta, às vezes, transcender o convencional, como, por exemplo, em uma cena que ela percorre suavemente a câmera por uma rachadura de um espelho.

Em aspectos da narrativa, o documentário é um pouco entediante. Um espectador casual de cinema terá bastante dificuldade em acompanhar o ritmo desacelerado. Com raríssimas exceções, o clima do documentário é ameno, focando-se apenas nos relatos, conduzidos por uma emotividade genuína das personagens. Esse é o principal valor, e o motivo pelo qual se deve assistir a Assombrados. São os próprios sírios e palestinos falando de si. Não há sensacionalismo. Não há influência externa e inadequada na compactação e exposição da realidade daqueles que enfrentam a dureza de uma vida regida pela violência da guerra e pelo desejo de sobreviver. Tal realidade é apresentada, no documentário, relevando todo o contexto social, histórico e cultural.

Mediante o cenário contemporâneo, no qual todas as informações que se têm no mundo Ocidental são embasadas pelo olhar emerso de jornalistas internacionais, esta produção árabe possui uma importância documental considerável. Assombrados tem o valor de estar autenticamente imerso ao contexto da guerra da Síria e na vida daqueles que já se refugiaram ou estão dispostos a isso. O documentário pode ser um pouco maçante, mas pode fazer com que seu espectador compreenda melhor o assunto. É como uma lição de casa.

por Caio Mattos
caiomattcardoso@gmail.com

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