A Morte te dá Parabéns: um filme para matar as saudades das comédias de terror

Você já imaginou como seria morrer no seu aniversário e revivê-lo todos os dias até descobrir quem está te matando? Não? Com uma trama inspirada nas clássicas comédias de terror, A Morte Te Dá Parabéns (Happy Death Day, 2017) é uma produção da Universal que tem como proposta mais divertir do que assustar o espectador, com um enredo leve e cheio de bons clichês que contribuem para a marcada característica do filme.

Quando Tree (Jessica Rothe) acorda no alojamento de Carter (Israel Broussard) no seu aniversário, não espera que seu dia seja mais do que a passagem de um ano de vida. Mas, ao ser misteriosamente assassinada, ela acorda novamente na cama do universitário, para viver o fatídico dia mais uma vez.  Assim, a protagonista se vê presa nesse looping temporal, até descobrir o motivo da sua morte e seu assassino – que sempre aparece usando uma máscara de bebê assustador, o símbolo da faculdade. Porém descobre que, a cada vez que volta de um assassinato, seu corpo conserva as fraturas e cicatrizes da morte passada.

O filme explora dos clichês para se fazer caricato: uma patricinha pertencente a uma fraternidade, o mocinho nerd, a morte mascarada. Ao longo da história, o enredo trabalha as percepções de Tree acerca de quem poderia estar por trás do seu assassinato, e se desenvolve basicamente nesse aspecto. O ponto, que parece ser a premissa do filme, é a evolução de Tree como pessoa. De vilã mimada digna dos filmes da Disney, ela passa a ser a cool girl, que desce do salto e não esnoba ninguém.

Aos poucos, em cada mesmo dia que a personagem vive, Carter nos é introduzido, como um óbvio parceiro romântico que se tornará no final do longa. A medida que a protagonista vai investigando o mistério, outros personagens nos são apresentados, de acordo com a sua participação no dia do aniversário. Sempre com alguma cena que deixa no público aquela pulga atrás da orelha de um possível assassino, Tree contracena com Danielle (Rachel Matthews), sua arrogante – e mais mimada ainda –  companheira de fraternidade, Tim (Caleb Spillyards), um universitário com o qual teve um envolvimento, Gregory (Charles Aitken), o professor da faculdade com o qual Tree saía, Lori (Ruby Modine), sua colega de quarto, entre outros, todos possuindo – para quem procura por um mistério – algum motivo para fazer parte da cena do crime, ainda que com participações relativamente pequenas.

A Morte Te Dá Parabéns também proporciona bons jumpscares, e possui o desleixo necessário nos efeitos especiais que nos colocam em contato com Todo Mundo Em Pânico (Scary Movie, 2000), ou outros filmes do gênero. Em uma comédia que não é escrachada, você não sai do cinema com a barriga doendo de rir, mas também não se decepciona quanto ao que o longa se propõe.

O filme peca por deixar os espectadores sem saber alguns pontos levantados. Qual o fenômeno que faz com que Tree volte no tempo? O que acontece com a sua saúde, que estava deteriorada depois de tantas mortes? Não sabemos. A sua relação com o pai também é pouco explorada. Ao longo do filme vemos que ela ignora as chamadas dele, para depois – ao longo de sua evolução para mocinha – reatar os laços em uma única cena, que apesar de emocionante, se torna isolada. Mas ainda assim, o filme ganha pela proposta: é aquele trama que você com certeza vai querer ver toda vez que estiver passando e cumpre muito bem o papel de ser uma alternativa aos romances ou filmes de ação para esse feriado.

A Morte Te Dá Parabéns estreia no da 12 de outubro nos cinemas. Confira aqui o trailer do filme:

Por Bruna Arimathea
b.arimathea@gmail.com

Comentários