42ª Mostra Internacional de SP: Assunto de Família

Este filme faz parte da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

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Família reunida (Foto: divulgação)

O drama japonês de Hirokazu Kore-Eda, Assunto de Família (Manbiki Kazoku, 2018), conta a história de uma família não biológica composta por seis pessoas que, além da miséria e do modo controverso com que ganham a vida, não têm nada em comum.

A obra começa mostrando a rotina de Osamu (Lily Franky) e Shota (Kairi Jyo), simbolicamente pai e filho, que praticam furtos para ajudar em casa visto o baixo orçamento da família. Na cena seguinte, enquanto voltam para casa os dois encontram uma menina na rua de pijama, e como faz muito frio, a levam para casa a fim de que ela se esquente e coma alguma coisa.

Na medida em que conversam com a criança, observam os machucados em seus braços e pressupõem que ela era abusada pelos pais. Ainda assim, eles tentam levá-la de volta para casa, mas ao chegar lá ouvem pessoas discutindo, gritando e quebrando coisas. Assim, decidem acolhê-la por mais um tempo. Essa sequência de acontecimentos faz com que seja muito fácil para o espectador se simpatizar por aquelas pessoas.

Esse tempo acaba se estendendo e a menina vai ficando e criando laços com todos os integrantes da família. Inclusive Nobuyo (Sakura Ando), a mãe, que de início era mais resistente, passa a acolher Juri como sua própria filha. Esse sentimento de aproximação continua inalterado até o momento em que fotos da criança aparecem na televisão como desaparecida.

Perguntada sobre o que deseja fazer, a menina escolhe ficar com a nova família. Assim, eles passam a chamá-la por um nome diferente, cortam seu cabelo e compram roupas novas. Ela é inserida na rotina da família, inclusive passa a furtar junto com o pai e o irmão. No entanto, em uma das sessões de furto, a menina acaba atrapalhando e Shota tem que sair correndo da loja. Perseguido e encurralado, ele termina saltando de uma ponte e quebrando a perna.

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Momento em que a mãe diz amar a menina (Foto: divulgação)

A sequência de acontecimentos a partir desse ponto leva a família a se separar e a se questionar sobre o significado de tudo que aconteceu. No fim, cada um segue sua vida, se agarrando às lembranças de tudo o que viveram enquanto estavam juntos, como que para lhes dar mais forças.

É importante ressaltar como o filme consegue passar essa atmosfera sensível e íntima mesmo com os diálogos curtos, que tendem a apresentar as personagens como mais fechadas de início. O cenário também ajuda bastante, na medida em que a maioria das cenas foi gravada dentro de uma casa pequena, dando ideia de uma proximidade quase obrigatória para a boa convivência no espaço.

Os diferentes enquadramentos ainda cumprem seu papel ao não deixar a constância do espaço se tornar algo monótono. Bem como o uso de pessoas tanto em primeiro quanto em segundo plano na mesma cena, mudando apenas o foco de um momento para o outro. Isso acaba dando uma breve sensação de aperto, logo seguida por uma de aconchego, daqueles que só dá pra sentir quando se está bem perto de quem se gosta.

O filme participa da 42º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que vai até o dia 31 de outubro. Assista o trailer:

por Maria Laura Lopez
laura_lopez.8@usp.br

 

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