Uma combinação entre violência e horror que cumpre com a sua função

Mesmo com o uso de alguns clichês, A Casa do Medo – Incidente em Ghostland (Ghostland, 2018) surpreende e consegue êxito no que se propõe dentro do gênero terror. Pauline (Mylène Farmer) está se mudando para uma casa nova junto com suas duas filhas, Vera (Taylor Hickson) e Beth (Emilia Jones). Logo na primeira noite elas são atacadas por dois intrusos que, literalmente, transformam a vida da família em um pesadelo bizarro.

A ambientação é um elemento muito importante para gerar medo e tensão no espectador: a casa antiga que fica no meio do nada. O lugar onde a história se passa é digno de um clássico de filmes de terror. Outro aspecto muito utilizado são bonecas, que estão muito presentes durante toda a história, tanto como componente de horror como de construção da narrativa. Um dos intrusos, um homem grande com as feições deformada, apresenta algum tipo de relação com bonecas. As duas garotas são caracterizadas dessa forma para ele fazer o que quiser com elas, indo de violência física a sexual. Além disso, a fotografia também é muito bem trabalhada. O início do filme já mostra o tom da trama, com cores fracas e acinzentadas imperando.  

A Casa do Medo

Beth é caracterizada e colocada entre diversas bonecas [Imagem: Mars Films]

O enredo, por si só, já é muito macabro, um homem deformado e outro mais idoso que se veste com roupas femininas invadem uma casa em busca de matar a mãe da família e usar suas filhas como objetos de tortura. Apesar de flertar com a fantasia e o improvável, a verossimilhança de algumas situações é responsável por causar muita aflição no espectador.

O uso de jumpscares é controlado apesar de ser desnecessário em alguns momentos. Quem assiste sabe quando o susto vai vir: as duas jovens abrem um espelho, há introdução de uma música tensa que vai baixando gradativamente, e após o silêncio surge uma boneca fazendo um barulho estrondoso. Momentos como esse são extremamente previsíveis e causadores de sustos momentâneos, não servindo muito para a construção do suspense.

Um dos principais elementos utilizados pelo diretor Pascal Laugier para causar medo é a violência. As garotas sofrem diversos tipos de agressões durante todo o filme, o que acaba gerando sentimentos desconfortáveis no espectador, como agonia. A cada instante a preocupação com as protagonistas aumenta. Esse mérito pode ser conferido às ótimas atuações que geram sentimento de empatia e preocupação. Quem assiste fica vidrado na tela até saber que as meninas irão ficar bem.

A Casa do Medo

Beth e Vera na noite em que se mudam para a casa nova [Imagem: Mars Films]

Talvez um dos grandes erros de A Casa do Medo – Incidente em Ghostland seja a forma como a narrativa é montada, com idas e vindas entre passado e futuro. Uma parte do que supostamente teria acontecido na noite da invasão domiciliar é mostrada. Há um salto temporal e somos apresentados para Beth e Vera já adultas, interpretadas por Crystal Reed e Anastasia Phillips, respectivamente. As irmãs se reencontram na antiga casa e o que realmente aconteceu é mostrado. Essa maneira de estruturar o enredo pode causa confusão pois começa muito nebuloso e alguns fatos não ficam tão evidentes quanto necessário.

Com uma atmosfera sombria e uma história macabra, A Casa do Medo – Incidente em Ghostland apresenta mais acertos do que erros. Trazendo uma nova roupagem para alguns elementos clichês do gênero terror, é um filme angustiante que deixará quem assiste sem piscar para acompanhar cada detalhe da trama.

O filme estreia dia 18 de outubro nos cinemas. Confira o trailer no link abaixo:

por Marcelo Canquerino
marcelocanquerino@gmail.com

 

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