A Escolha Perfeita para um filme divertido

O filme A Escolha Perfeita (Pitch Perfect. 2012.) conta a história de Beca (Anna Kendrick), uma caloura na Universidade Barden que não deseja cursar a faculdade, sua vontade é tornar-se DJ e produtora musical em Los Angeles. O pai de Beca, um professor universitário, propõe um acordo: ela teria de participar de uma entidade universitária qualquer (clube de dança, teatro, canto, poesia, etc), ficando nela por um ano, e se depois disso ela ainda quisesse largar a universidade ele a ajudaria realizar seu sonho de se tornar mudar-se para Los Angeles para trabalhar com música. Motivada pelo desafio do pai, Beca tem o chamado para a aventura.

Um dia, ao ir para o banho cantando Titanium de David Guetta, Becca é abordada por Chloe (Brittany Snow), uma das líderes das Bellas de Barden, grupo de canto a capella feminino da Universidade. Chloe pede que Beca considere entrar para o conjunto devido a sua bela voz. Lembrada do desafio de seu pai, ela decide dar uma chance às Bellas e fazer uma audição, na qual ela faz uma ótima apresentação e é convocada a entrar para fazer parte da formação da equipe. Nesse momento ela faz uma imersão no universo do canto a capella e – o bem disputado – campeonato universitário.

As Bellas de Barden (The Barden Bellas)

Os campeonatos a capella (ou coral, como são conhecidos também) são bastante comuns nas escolas e universidades dos Estados Unidos. Para a apresentação, nenhum tipo de instrumento musical é permitido, todos os sons emitidos tem de ser feitos usando apenas a voz dos participantes. Danças coreografadas também são um recurso amplamente usado.

Na Universidade de Bardem, existe uma forte rivalidade entre os dois principais grupos: As Bellas de Barden (The Barden Bellas) e Os Estrondosos (Treblemakers). Beca, por ser fortemente ligada ao mundo musical, representa a inovação e perspectivas diferentes para o futuro da equipe, enquanto Aubrey (Anna Camp), uma das líderes das Bellas, representa o conservadorismo autoritário e a recusa na mudança. As duas tem um relacionamento difícil devido a essas diferenças antagônicas. Chloe é a responsável por facilitar as coisas entre elas duas e trazer o equilíbrio para o grupo.

A adaptação musical é muito bem trabalhada. Há o encontro de diversas vozes empenhadas em cantar não apenas o pop atual de cantores como Rihanna, Bruno Mars, David Guetta e Jesse J, mas também de clássicos como Madonna, Toni Basil e Pat Benatar. Essa mistura torna o filme muito rico em sua trilha sonora. As apresentações contam também com pequenos números de dança que traduzem bem o universo dos concursos musicais no geral. Veja uma apresentação aqui.

O timing do lançamento de A Escolha Perfeita não poderia ser melhor. O Brasil está fortemente conectado a esse universo dos concursos musicais devido a apresentação do programa The Voice Brasil, pela Rede Globo, e The X factor US, pelo canal Sony. Além do amplo interesse do público brasileiro pela série de TV Glee, exibida recentemente pela Rede Globo e ainda no ar pelo canal FOX. A série Glee também traz ao público o universo dos cantores de coral explorado pelo filme.

A inspiração do filme vem do livro Pitch Perfect de Mickey Rapkin. O livro fala da intensa competição entre os grupos de canto nas universidades norteamericanas.

A Escolha Perfeita foi dirigido por Jason Moore, conhecido pela direção de alguns epsódios das séries Dawson’s Creek, Brothers and Sisters, Everwood e One Three Hill. Também fez participações especiais como ator em algumas dessas séries. Em 2004, Moore foi indicado ao prêmio 58º Tony Awards, premiação voltada a produções teatrais, pela melhor direção do musical “Avenue Q”.

O filme consegue fugir do lugar comum das cenas de canto/ dança longas, dando lugar a músicas mixadas e elementos que quebram a monotonia, como os juízes engraçadinhos e persongens que fazem o papel de comic relief, como é o caso de Amy Gorda “Fat Amy” (Rebel Wilson) e Lily (Hana Mae Lee). Amy Gorda é uma personagem muito divertida, que está sempre fazendo piada consigo mesma e com as situações difíceis, é muito sincera e por isso torna-se apaixonante. Lily fala muito baixo e sempre tem revelações esquisitas a fazer.

A química entre os personagens, com certeza, é um ponto alto. Os conflitos que eles enfrentam são muito genuínos e bem explorados pelo roteirista. O final pode ser previsível, mas seria impossível fugir dele devido ao grau de realidade impresso ao filme. Anna Kendrick impressionou o público com sua performance. Conhecida por seu papel em Crepúsculo (Twilight) e Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World. 2010.), ela demonstrou versatilidade ao personificar uma cantora e dançarina.

O filme é uma ótima fonte de entretenimento e uma boa pedida para um fim de semana, depois de uma semana cansativa. Leve, divertido e engraçado, tem potencial para agradar toda a família e derreter todos os corações.

Por Rúvila Magalhães
ruvila.m@gmail.com

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