A lei tem limites, mas Jack Reacher não

James Barr (Joseph Sikora) é acusado de ser o autor de um tiroteio que matou cinco pessoas inocentes que passavam pela rua. Para ele, Jack Reacher (Tom Cruise) era a única salvação e por isso foi seu último pedido antes de entrar em coma, após apanhar de presos que estavam com ele. Sua advogada Helen Rodin (Rosamund Pike), filha do promotor que cuida do caso, é vista como uma piada pois todas as provas apontam para a culpa de Barr.

Reacher conheceu Barr no exército, onde era um atirador e foi afastado devido a sua ânsia por atirar. Com certeza Barr sabia o que estava fazendo ao pedir a presença de Jack Reacher em seu caso. Aliado a Helen Rodin, a análise do caso foi profunda e detalhada, mostrando que nem tudo que parece, realmente é.


Jack Reacher é ótimo em captar indícios e transformá-los em informação. Tal qual um detetive de séries como CSI ou um Sherlock Holmes moderno, é um personagem importado de uma série de romances policiais do escritor inglês Lee Child. Ele é um ex-policial do exército que vaga pelos Estados Unidos como um fantasma, usando nomes falsos e nunca se fixando em um lugar por muito tempo. Uma lenda viva.

O filme, por ser roteirizado a partir de um romance, contém uma dose de suspense ideal para prender o público por mais motivos, além das cenas de ação. O caso tem de ser resolvido e as lutas e tiros são apenas um meio para isso, e não a mensagem completa, como tem sido bem comum nos filmes de ação atuais. A trama é bem formulada e instiga a curiosidade.

A adaptação do romance para o cinema foi feita por Child e pelo roteirista e diretor Christopher McQuarrie. McQuarrie é também conhecido pela execução do roteiro de O Turista (The Tourist, 2010), Operação Valquíria (Valkyrie, 2008) e Os Suspeitos (The Usual Suspects, 1994), e é cogitado para roteirizar e dirigir Missão Impossível 5. Apesar da vasta experiência como roteirista, Jack Reacher: O Último Tiro é somente o segundo filme de McQuarrie como diretor. O primeiro foi A sangue frio (The Way of the Gun) lançado em 2000 e estrelado Ryan Phillippe, Benicio Del Toro, Juliette Lewis e James Caan – o eterno Sonny Corleone de O Poderoso Chefão. Assim como em Jack Reacher, McQuarrie foi responsável por roteiro e direção de A sangue frio.

Tom Cruise, aos seus 50 anos, mostra-se em completa forma. Além de um grande atirador, o personagem de Cruise é bom de briga. As cenas de luta transbordam vigor e jovialidade, inspirando o maior público de filmes de ação: os homens. No entanto, não é apenas Cruise que está em boa forma, Robert Duvall também incorpora um senhor cheio de vitalidade e vontade de superar-se, arriscando-se em nome de Reacher.

Martin Cash, o personagem interpretado Duvall é dono de um clube de tiro frequentado por James Barr. Cash tem uma personalidade selvagem, mas junta-se a Reacher em sua busca por justiça. Aparece como um auxílio externo e acaba cativando o público por seu jeito esperto e sua falta de modéstia. Reacher vê seu futuro em Cash e a sintonia entre os dois é perfeita, parecem até mesmo pai e filho. Cash é paciente e acontecem diversos momentos de aprendizado entre eles. Enquanto um tem a sabedoria da idade, o outro possui a mente aberta necessária para entender a atualidade.

Mais um ponto positivo para o filme é a trilha sonora original. Joe Kraemer foi o compositor musical responsável por trazer constante tensão para o filme, produzindo uma ansiedade boa, que leva o público a temer pelos personagens. O recurso é bastante utilizado em filmes de suspense para direcionar as atenções do público, o que uma música popular nem sempre é capaz de fazer. Uma música consagrada popularmente é dotada de sentidos diferentes para cada pessoa e por isso não é capaz de trazer a unidade de sensações pretendida.

O filme é inteligente e maduro. A narrativa é consistente e bem amarrada, o final é surpreendente. É um ótimo filme e tem potencial para agradar tanto aos fãs de ação quanto aos fãs de suspense.

Por Rúvila Magalhães
ruvila.m@gmail.com

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