A tribo vem de skate

Os créditos iniciais de Reis de Dogtown (Lords of Dogtown, 2005) são ao som de Vodoo Child, de Jimi Hendrix. Existe um problema em usar Hendrix logo nos créditos iniciais, isso cria a necessidade de que o filme seja bom.

Reis de Dogtown conta a história de garotos de 16 anos, que ultrapassaram algumas barreiras, e hoje são para muitos, mitos ainda vivos. Na década de 70, um grupo mudou radicalmente a cena de skateboard californiana, e conseqüentemente a mundial. O que antes eram competições regadas a muito música lenta e melosa, passou a ter a cara que conhecemos hoje, bastante rock, e caras que precisam ser necessariamente loucos para completar as manobras. Muitas destas manobras que hoje são comumente executadas nas competições, surgiram graças à loucura daqueles garotos.

Reis de Dogtown é dirigido por Catherine Hardwicke, que hoje veio a ser mais conhecida pela direção de “Crepúsculo”. O filme conta a história de três dos Z-Boys; Stacy Peralta, Tony Alva e Jay Adams. Eles foram os principais responsáveis pela quebra dos padrões do skateboard. A história de cada um é apresentada, suas escolhas e posteriormente o que cada um faz hoje. O interessante disso é mostrar o que levou a cada um dos três a seguir seu caminho, quais obrigações e quais princípios comandaram as escolhas deles após a quebra do grupo Z-Boys.

O filme apareceu após a filmagem do documentário Dogtown and Z-Boys, da autoria de Stacy Peralta, um dos três protagonistas. Com a maior visibilidade após o lançamento do documentário, que conta até com a narração de Sean Penn, vem esta ficção baseada em fatos reais, aumentando o interesse geral sobre o assunto.

O clima da época é bem recriado e apresentado no filme, principalmente através da trilha sonora, que retrata bem o gosto da época e daquela tribo. Bastante rock, passando desdo Glam Rock, pela psicodelia já fala de Hendrix e terminando no Punk e Hard Core, bem característico da cena californiana até hoje.

Entre os atores dos três garotos, o que mais se destaca é Emilie Hirsch, que veio a fazer “Na Natureza Selvagem” e “Milk” mais recentemente. Outro grande destaque de atuação fica por conta de Heath Ledger, que será eternamente lembrado como o Coringa. Ledger faz Skip, o dono da empresa Zaphire, que patrocinava os Z-Boys. Com a personagem constantemente bêbada e drogada no filme, Ledger se sai muito bem, com um jeito de falar que muitas vezes lembra o Jack Sparrow de Johnny Depp.

O filme vale para quem curte skate e pra quem não curte. Para os que gostam, obviamente conhecer um pouco mais não será nada ruim. Já para os que não gostam, vale como uma breve aula de história, sobre uma declaração de independência ou revolução conhecida por poucos.

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