Alice através do tempo – A evolução nas adaptações cinematográficas da obra de Carroll

por Lucas Almeida
ameidalucas1206@gmail.com

Em 1862, durante um passeio de barco no Reino Unido, Charles Lutwidge Dodgson distraia as três filhas de Henry Liddell – escritor britânico – inventando uma história, que fez bastante sucesso entre as pequenas. Após alguns anos, o aprimoramento da trama e a criação de novas personagens,sob o pseudônimo de Lewis Carroll Dodgson publicou a primeira edição dessa história, intitulada de Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures in Wonderland). O nome da obra foi em homenagem à filha de Liddel, que havia pedido uma versão escrita da obra.

Contestando as exigências de histórias moralizantes da Inglaterra vitoriana, a trama traz um mundo fantasioso e ilógico, cheio de possibilidades. O que rendeu, inclusive, a sua continuação, publicada seis anos depois, com o nome de Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá (Through the Looking-Glass and What Alice Found There).

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Ilustração de Sir John Tenniel feita para a primeira edição de Alice no País das Maravilhas.

Desde então, foram criadas cada vez mais versões e outras histórias inspiradas na obra, transpondo o mundo dos livros. Com apenas oito anos de existência da sétima arte, foi feita a primeira adaptação de Alice, seguido de diversas outras produções. Assim, podemos acompanhar a própria modernização do cinema, de acordo com as novas adaptações que foram feitas da obra.

O conto de Carroll foi adaptado pela primeira vez para as telonas no ano de 1903, sob o título de Alice in Wonderland. Inspirada nas ilustrações de Sir John Tenniel, a produção apresenta efeitos visuais impressionantes para a época, como a cena do corredor de muitas portas, ou quando a protagonista começa a aumentar de tamanho dentro da casa do coelho. Foi feita uma restauração da única cópia original do filme que se tem conhecimento atualmente, pelo British Film Institute em 2010 e que está disponível no canal de Youtube do instituto.

No centenário do nascimento de Lewis Carrol, em 1933, foi lançado mais um longa, mesclando as histórias dos dois contos de Alice criados pelo autor. Grandes atores do estúdio Paramount, como Charlotte Henry e Gary Cooper, participaram do elenco e hoje a produção já é de domínio público. Um fato curioso é que o roteiro foi baseado em outra adaptação da obra, feita para o teatro contemporâneo por Eva Le Gallienne e Flórida Friebus.

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Cena do filme Alice no país das Maravilhas de 1933, com a atriz Charlotte Henry como a protagonista. Foto: Reprodução

Uma das adaptações mais famosas para o cinema foi a animação produzida pela Disney em 1951. Após o sucesso de Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937), o estúdio já planejava essa nova versão, mas por conta da II Guerra Mundial, as produções tiveram que ser adiadas.

Apesar de ser indicado ao Oscar de Melhor Canção Original, o filme não correspondeu às expectativas de parte do público e crítica, que acusaram o estúdio de “americanizar” demais a história, por conta das mudanças feitas a partir da obra original, como as próprias músicas típicas do universo Disney e as cenas extremamente multicoloridas.

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Cena da animação de Alice no País das Maravilhas de 1951, produzida pela Walt Disney Pictures. Foto: Reprodução

Em 2010, uma nova versão do clássico ganhou grande repercussão no mundo da cultura pop. Dirigido por Tim Burton, o longa-metragem contou com nomes famosos de Hollywood, como Helena Boham Carter, Anne Hathaway e Johnny Depp. Também, mostrou um show de efeitos especiais, com ousadas mudanças na representação física de muitos personagens, como a Rainha de Copas e o Chapeleiro Maluco.

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Cena de Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010), com o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), Alice (Mia Wasikowska) e a Rainha Branca (Anne Hathaway). Foto: Reprodução

No dia 26 de maio de 2016, foi lançada a continuação da produção de 2010, chamada de Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass, 2016). O longa marca a volta dos atores do primeiro filme, incluindo a última participação de Alan Rickman – falecido em janeiro de 2016 – no cinema, dublando a Lagarta Azul.

Sem dúvidas, a sonhadora garota de cachos loiros apresentou uma nova visão para a literatura inglesa e até hoje serve de inspiração pelo mundo todo, mesmo fora das páginas dos livros. Uma história que pode ter diversas interpretações com suas indagações e charadas para cada idade diferente, nos serve de reflexão e continuará se renovando em diferentes adaptações ao longo do tempo, se adequando às exigências de cada época e público.

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