Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu! (Airplane!, 1980)

Como você se imaginaria se estivesse em um avião prestes a cair? Estaria realizando um parto? Caso você seja um médico, é claro (se não, nem tente). E que tal tendo relações sexuais com um boneco inflável? É com prazer que redijo esta resenha sobre um, ou melhor, o clássico do cinema de humor trash. Acima do panteão trash voa o avião da fictícia Trans American abarcando diversos personagens caricatos e cômicos. Tentarei ser justo com esse confuso filme que produziu tanta alegria para as crianças da década de 1980, e talvez para muitas outras além, por que não?

Apertem Os Cintos… O Piloto Sumiu! (Airplane!, 1980) foi dirigido por David Zucker, que viria a se tornar reconhecido no gênero da comédia a partir de então. A produção tem em seu elenco nomes não antes acostumados com o universo do humor, como Robert Hays e Leslie Nielsen. É também importante destacar a presença do jogador de basquete Kareem Abdul Jabbar. O que ele faz? É um cara que joga basquete, não que isso seja relevante. Ou, melhor, como se diria no filme: “mas isso não é importante agora”.

O longa começa com uma apresentação de alguns dos passageiros do vôo ao chegarem ao aeroporto. Essa primeira cena é interessante não só por demonstrar o teor dos personagens, mas também o do próprio humor. De invasivos devotos falhando em busca de doações à briga entre um casal por conta de um aborto nos autofalantes do aeroporto. É assim que somos introduzidos a Apertem Os Cintos… O Piloto Sumiu! O que esperar disso?

Em resumo a história tem como trama principal o drama romântico entre Ted Striker (Robert Hays), um veterano de guerra, e Elaine (Julie Hagerty), uma das aeromoças do vôo. Mas seus protagonismos se diluem no carisma dos personagens secundários, que se mostram vitais para a comédia no longa. O Dr. Rumack (Leslie Nielsen) e sua interpretação sempre literal e equivocada da fala dos outros. E Steve McCroskey (Lloyd Bridges), que escolheu a semana errada para parar de beber, e de tomar anfetaminas, e de cheirar cola, são exemplos disso.

Os pilotos principais, que normalmente são desumanizados em filmes de tragédias aéreas, não sofrem disso em Apertem Os Cintos… O Piloto Sumiu. O capitão Clarence Oveur (Peter Graves) e o copiloto Roger Murdock (Kareem Abdul Jabbar) são, diria, “anormais”. Murdock pode, ou não, ser uma lenda do basquete disfarçada de copiloto por um motivo não explicitado. Já Oveur não tem pudor em fazer “perguntas” a um menino (Rossie Harris) que visita sua cabine, como “Joey, você já viu algum homem nu?” ou “Joey, você já esteve em uma prisão turca?”. Até mesmo o piloto automático, um boneco inflável que atende pela alcunha de “Otto” (um trocadilho com “automatic”… eu sei, hilário), é bem representado.

Embora a história se passe majoritariamente dentro do avião, o uso recorrente de flashbacks por Ted para contar seu passado amoroso com Elaine traz ainda mais humor. Menos para aqueles que se suicidaram ao ouvi-la. Há uma patética, porém cômica, referência ao clássico Saturday Night Fever, conhecido como “aquele filme em que o John Travolta dança e não é Grease”. Para completar o rol, Striker e Elaine também apresentaram a uma tribo isolada o tupperware e o basquete.

Com diversas piadas aleatórias, atuações péssimas (com exceção de Nielsen e Graves) e personagens com comportamento literalmente de palhaço de circo, Apertem Os Cintos… O PIloto Sumiu! conseguiu cravar um selo de tomate fresco de 97% no Rotten Tomatoes, além de bons 7,8 no IMDB. Viu? Até quem se diz entender de cinema gosta do filme. Então, a não ser que você tenha algum problema grave com a temática de desastre aéreo, não tem por quê não gastar míseros 88 minutos com essa obra. Não só para rir e se sentir melhor com a vida, é mas também para poder consumir cultura da mais alta qualidade.

 

Trailer sem legendas:

por Caio Mattos
caiomattcardoso@gmail.com

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