O artista e sua música

Bruno Benevides

Feito em 1988 o filme Bird transforma em filme a vida do saxofonista americano Charles Christopher Parker Jr, mais conhecido como Charlie Parker ou simplesmente Bird. Garoto negro e viciado em heroína do meio oeste americano, Parker desenvolveu uma maneira própria de tocar o saxofone e se tornou um dos maiores músicos do jazz na primeira metade do século XX.

Para o desafio de levar uma vida tão complexa para a tela nada como um gênio do cinema como o diretor Clint Eastwood, talvez o principal representante do cinema clássico americano na atualidade. Fã de jazz assumido, ele cuida para transformar os intensos 34 anos da vida de Parker em um filme coeso e sensível, que mais do que nos trazer a história de uma vida nos mostra como é um artista.

A difícil tarefa de protagonista coube a Forester Whitaker, que faz com maestria um Parker divido entre o êxtase da música e a depressão das drogas. O resultado é que o mito aqui surge como um homem comum, em eterno conflito e sem saber o caminho trilhar. Apesar de trazer diversas canções de Parker, Bird é um drama sobre a música e seus realizadores e não um musical. Ao final a dedicatória “Este filme é dedicado aos músicos do mundo inteiro” comprova que o mais importante aqui é entender a relação entre o protagonista e a música e como esta moldou o personagem.

No filme predominam os tons escuros e os ambientes fechados, dando a impressão que estamos o tempo todo dentro dos clubes de jazz onde Parker se apresentava. Dessa forma o protagonista está sempre presente e em evidência como se todo lugar servisse como palco não apenas para a sua música, mas também para a vida.

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