Big Pai, Big Filho, Big Erros

Quando se fala em animações, grandes produções são lembradas, como a recente Zootopia (2016) que conseguiu transmitir em seu enredo uma excelente mensagem. Algo, no entanto, que não será encontrado em Big Pai, Big Filho (The Son of Bigfoot, 2017), dirigido por Ben Stassen e Jérémie Degruson.

O filme conta a história de Adam, o típico pré-adolescente que sofre constantemente com o bullying na escola. Criado com a presença da mãe e com a ideia de que seu pai estava morto, de uma forma inimaginável descobre que foi enganado a vida inteira. Após essa descoberta, o garoto decide partir para estrada a fim de conhecer seu pai. Ao chegar no endereço que procurava, Adam entra em uma floresta e é surpreendido pelo famoso Pé Grande. Logo mais, o bicho revela que é seu pai. Tendo a característica de ter muitos pêlos, seu pai atraiu uma empresa de cabelos que queria obter seu DNA para pesquisas. Por essa razão, o Pé Grande se isolou de sua família porque temia que, como ele, ela corresse perigo. Vale destacar que Adam antes mesmo de ter contato com seu pai, já demonstrava características um tanto quanto esquisitas: cabelos e pés que cresciam muito rápidos. Fatores esses que fizeram com que soubesse que também poderá ser um futuro Pé Grande.

Se o título da produção fosse traduzido literalmente seria até melhor porque se trata realmente do “filho do Pé Grande”. A forma com a qual é feita a adaptação de títulos no Brasil parece bem obscura já que foi preferido manter a repetição do adjetivo inglês “big” em vez da tradução literal que não perderia de nenhuma forma o sentido e até reforçaria o que o filme retrata. Além de que, quando escolhido esse título, faz com que a relação entre pai e filho seja a protagonista da animação, e, se ela foi realmente, pode-se dizer que não foi bem interpretada.

Pelo garoto ter há pouco tempo descoberto que seu pai estava vivo e após ter ciência que seu progenitor é o Pé Grande, a aceitação foi muito rápida, fato que poderia ser muito mais problemático por parte do filho. Outra situação que foi péssima e deixou a desejar a conexão entre pai e filho, foi quando o fabricante de cabelos, após seguir os rastros de Adam, também descobrisse o paradeiro da peça chave para suas experiências, que antes acreditava na sua morte. Dessa forma, com uma grande escolta, invade a floresta atrás do Pé Grande. O que se poderia imaginar é que o pai tomaria atitude e lutaria com a ajuda dos animais contra eles. Mas não foi o que aconteceu. O Pé Grande se irritou com Adam por tê-lo te encontrado e consequentemente achado seu esconderijo, e o deixou assumir os erros e se entregar para a grande escolta que estava na floresta. Ação essa que nenhum pai faria de modo algum: “entregar seu filho aos lobos”. Só foi assim que o Pé Grande se tocou de sua função como pai: proteger seu filho.

Porém, houve momentos em que a relação entre eles foi muito bem explorada. Um desses foi quando o Pé Grande ensinou a controlar os poderes que o filho também tinha e explicou as vantagens de ser esse bicho que muitos temem. No desenrolar do filme, Adam utilizará outro poder que seu pai também possui: o da cura.

É um erro achar que só porque o público alvo é infanto-juvenil que a verossimilhança não deva ser mantida. Big Pai, Big Filho possui um enredo bom, mas a sua narrativa peca bastante. Por tal razão, não será uma animação que será bem lembrada por sua mensagem.

Confira o trailer desta animação:

por Jonas Santana
jonasribeirodesantana@usp.br

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