Busca Implacável 2: a inversão dos papéis

Se o que você procura é um filme com uma grande sequência de ação e muitas perseguições, Busca Implacável 2 (Taken 2, 2012) é uma ótima indicação. O filme, produzido por Luc Besson e dirigido por Olivier Megaton, de Carga Explosiva 3 ( Transporter 3, 2008), traz uma ótima dose de ação e uma bela cenografia. Cenários de impacto escolhidos para as gravações e tomadas aéreas ajudam a enriquecer a parte visual do filme.

“Ele matou nossos homens, nossos irmãos, nossos filhos. Vamos encontrá-lo e havemos de nos vingar”. A frase marca o desejo de vingança de Murad (Rade Sherbedgia), pai de um dos sequestradores mortos por Brian Mills (Liam Neeson), ex-agente do governo estadunidense, em Busca Implacável (Taken, 2008).

No primeiro filme da série, Mills enfrentou uma luta contra traficantes de mulheres que haviam sequestrado sua filha, Kim (Maggie Grace). Dessa vez os papéis serão trocados, pois Brian e sua ex-mulher, Lenore (Famke Janssen), serão os alvos de um novo sequestro do mesmo grupo de traficantes, enquanto fazem uma viagem com a filha para Istambul, e Kim terá o papel de resgatá-los.

Como um dejavù invertido do primeiro filme, Brian, momentos antes de ser raptado, consegue avisar Kim sobre o sequestro. A filha do protagonista passa a ser a chave para Brian tentar sair daquela situação.

O que parecia ser apenas mais um filme de ação ao modelo hollywoodiano mostrou-se uma ótima mistura de ação e romance, com leves pitadas de humor. Busca Implacável 2 encerra a história iniciada em 2008 de uma maneira intensa, mas abrindo espaço no seu roteiro para os relacionamentos dos personagens.

Vale ressaltar a marcante interpretação da atriz Maggie Grace na sequência de cenas pós- sequestro. A atriz, que ficou conhecida pelo seu personagem Shannon Rutherford da série Lost (Idem, 2004-2010), voltou a interpretar de maneira notável a personagem Kim Mills. Com uma postura bem explorada, apesar de alguns momentos de heroísmo forçado, ela permitiu à personagem demonstrar uma maturidade e determinação sem abandonar o lado feminino e jovem que marca inicialmente o papel.

Outro ponto de grande elogio foi o trabalho desenvolvido no enterro dos traficantes mortos no filme anterior, sendo uma das primeiras cenas do atual filme. A atenção para com os rituais fúnebres muçulmanos, incluindo desde a maneira com que se enterram as pessoas nas covas até as palavras pronunciadas pelos parentes, foram muito bem exploradas e permitiram um retrato relativamente fiel desse tipo de cerimônia.

Liam Neeson mais uma vez mostrou que é uma figura de destaque entre os atores hollywoodianos. Nas telonas desde 1979 com o filme O Peregrino (Pilgrim’s Progress, 1979), Neeson participou de diversos longas, e neles demonstrou sua capacidade de apresentar diversas facetas a medida que mudam seus personagens.

Quando o vemos como Brian Mills, não se tem a lembrança da figura de Qui-Gon Jinn de Guerra nas Estrelas Episódio 1 – A ameaça fantasma ( Star Wars: Episode I – The Phantom Menace, 1999) ou a de Oskar Schindler, de A Lista de Schindler (Schindler’s List,1993) . Como poucos, Liam Neeson consegue construir a identidade de seus personagens de modo que eles sejam únicos e independentes de outros trabalhos.

Em Busca Implacável 2 isso não se mostra diferente. Apesar de ser um papel semelhante a muitos outros de filmes de ação, o ator, muito mais do que construir uma nova identidade de Mills para o segundo filme, resgata a essência do personagem muito bem explorada em 2008, ponto importante para desenvolver uma boa continuação do enredo.

Por Fernando Pivetti

fernandopivetti@gmail.com

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