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DEU FOME: Nádegas, estômago e alecrim
CINÉFILOS
03 jul 2018 | Por Jornalismo Júnior

Estômago

Íria e Raimundo se aproximam por um desejo em comum: ambos têm fome. Cada qual, a sua [Divulgação]

Se existe um filme brasileiro em que a culinária é a protagonista, sem sombra de dúvidas esse filme é Estômago (2007). Embora a história contada seja a de Raimundo Nonato, um retirante nordestino que chega a São Paulo em busca de emprego, nada aconteceria na narrativa não fosse a divina intervenção do pão nosso de cada dia.

Datado de 2007 e dirigido por Marcos Jorge numa coprodução ítalo-brasileira, Estômago pode ser definido ― ao menos para o repórter ― como o suprassumo da gulodice cinematográfica. Seja lá o que isso signifique, adianto que é bom. É o queijinho e o pão de alho do churrasco pós quinto dia útil.

Sem mais delongas para o alho não acabar queimando, vou agora explicar o título desse texto. Com ele, você conseguirá entender um pouco mais da história de Raimundo.

(ALERTA: O que vem a seguir é regado de spoilers. Mas isso não fará do filme – que certamente você deveria assistir caso ainda não o tenha – muito menos atrativo, promessa de jornalista!)

Estômago

Na imagem, o cozinheiro prepara seu primeiro prato ilícito [Divulgação]

NÁDEGAS é o elemento fundamental dessa história.

Acontece que, ao chegar em São Paulo, Raimundo Nonato conhece Íria, (Fabiula Nascimento) uma garota de programa por quem logo se apaixona e pede em noivado. Porém, como nem toda receita dá certo ― mais ainda aquelas que envolvem unicamente pessoas ―, a moça acaba o traindo com Sr. Giovanni (Carlo Briani), chefe de Nonato. Desgostoso, o noivo decide, ali mesmo na cozinha em que trabalha, cozinhar um prato ainda não testado: a nádega esquerda de Íria, que agora repousa sobre o corpo do também presunto Sr. Giovanni.

ESTÔMAGO é o umbigo da trama.

De alguma maneira, tudo neste filme gira em torno de um estômago consideravelmente faminto. Quando chega na selva de pedra, Nonato não tem sequer para onde ir, quanto mais o que comer. Ele para em um boteco e pede duas coxinhas que, sem ter como pagar, acabam o fazendo trabalhar para Zulmiro (Zeca Cenovicz), dono da pocilga que o explora até dizer chega; ou até o cozinheiro ir trabalhar no restaurante de Giovanni, que embora seja boa pessoa, termina provando coisas que iam além dos pratos de Raimundo, como falamos acima.

ALECRIM é o apelido que o nosso personagem ganha após cozinhar o que não devia.

Na verdade, o nome escolhido por ele foi ‘Nonato Canivete’, mas dada sua estatura e também os pratos que começou a fazer na cadeia, o nome que colou mesmo foi Alecrim. Fui pesquisar e descobri que existem algumas superstições que dizem que a erva que nomeia nosso detento pode trazer felicidade. Não tenho como atestar a veracidade dessa informação, mas o que posso dizer é que o tempero de Raimundo Nonato o fez subir na hierarquia do presídio mais rápido que fritar um ovo. Vou explicar o porquê:

Na cela em que Raimundo estava, havia uma treliche (um daqueles monumentos onde são empilhadas três camas). E a regra na cadeia é clara: presos importantes dormem nas camas, o resto, no chão mesmo. Como todo preso, Nonato começou de baixo, mas logo passou a cozinhar e não só virou Alecrim como também  conquistou o primeiro andar da treliche. Encorpando o tempero e ficando cada vez mais próximo de Bujiú (Babu Santana), o dono do pedaço e ocupante da cama mais alta, nosso personagem sobe mais um nível e passa a dormir na segunda cama. Envenenando o feijão de Bujiú, Raimundo Nonato finalmente chega ao mais alto posto na hierarquia de sua cela ― e prova muito bem aquele negócio de ‘conquistar  homem pela barriga’, ou algo assim.

Por fim, como o repórter ainda não ocupa a treliche de cima e recebeu ordens severas de embutir uma receita culinária nesse texto, vai aí uma PARA NÃO FAZER:

Nádega a la Nonato:

Ingredientes:

Um pedaço de nádega humana (por volta de 1,60 gramas)
Azeite de Oliva, Sal, Pimenta do reino e Alecrim a gosto.

Modo de preparo:

Em uma frigideira antiaderente, adicione 2 colheres de sopa de azeite de oliva e o deixe levemente aquecido.

Coloque o pedaço de nádega humana na frigideira e, com cuidado, adicione sal, pimenta e alecrim (a quantidade fica a seu critério).

Em fogo médio, observe o ponto de sua nádega humana até o desejado.

Como acompanhamento, sugerimos um vinho tinto Sassicaia de muito valor afetivo…


Trailer:

Este texto faz parte do especial de 10 anos do Cinéfilos. Para ver mais da antiga editoria Deu Fome, clique aqui.

por Matheus Oliveira
oliveiramatheus123@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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