Duda e os Gnomos: Lar é onde os gnomos estão

Existe um ditado famoso que diz “lar é onde o coração está”. Para a protagonista da animação Duda e os Gnomos (Gnome Alone, 2018), casa não é em lugar algum. Ela muda de cidade em cidade por conta do trabalho de sua mãe e, incapaz de criar laços com outras crianças, sua única companhia parece ser seu celular. Mas desta vez, a mãe afirma, será diferente. O endereço, no entanto, não agrada nem um pouco à menina: além de parecer assustadora, a casa antiga veio com seis gnomos de jardim que parecem não se comportar como estátuas. Por isso, Duda decide se livrar deles. O que ela não sabia é que as criaturinhas tinham um propósito maior ali: proteger a casa – e todo o mundo humano – da invasão de uma espécie de troll com um desejo de destruição. Em meio à confusão causada por gnomos e trolls, Duda ainda tem que lidar com um outro problema – este nada sobrenatural: como se enturmar e fazer amigos em uma escola nova e nada receptiva.

Duda e os Gnomos

[Divulgação/Imagem Filmes]

Usando um trope muito comum aos filmes que retratam o ensino fundamental e médio, o novo colégio de Duda é dominado por um grupo de três garotas populares – talvez uma tentativa de emular As Poderosas, lideradas por Regina George em Meninas Malvadas (Mean Girls, 2004)? Duda, é claro, quer se aproximar delas, e não de seu novo vizinho nerd Liam, que tenta ser seu amigo de forma desesperada (e fofa). Para conquistar a atenção do grupo, a menina empresta à líder, Bárbara, um colar com uma pedra verde e brilhante que havia encontrado na casa mais cedo. Contudo, essa pedra era o que mantinha os trolls afastados de sua casa e, sem ela, os monstrinhos estão livres para invadir. Assim, os gnomos têm como tarefa mantê-los longe até a pedra voltar a seu lugar.

Embora seja interessante ver como as duas histórias – aquela sobre impressionar as crianças populares da escola e a de livrar o mundo dos trolls – se cruzam, Duda e os Gnomos falha em preencher algumas lacunas importantes para a narrativa. A explicação sobre a origem dos gnomos e por que eles devem proteger a casa é vaga e não convence; sobre os trolls e sua motivação para destruir a Terra, no entanto, nada é dito. O mesmo acontece no que diz respeito à pedra repelente de trolls e à gosma verde que os gnomos preparam para combatê-los enquanto o objeto não é devolvido à casa: não sabemos nada sobre isso e o filme não faz nenhum esforço para oferecer alguma justificativa.

Duda e os Gnomos

[Divulgação/Imagem Filmes]

Um trunfo do longa é sua trilha sonora  – a trilha original foi composta por Patrick Stump, vocalista da banda norte-americana Fall Out Boy. As músicas utilizadas lembram àquelas dos filmes do Disney Channel e, portanto, são bastante adequadas não só à história, como também ao público-alvo do filme: pré-adolescentes. Cada momento, triste ou feliz, é embalado por alguma canção que pode muito bem parar nos celulares do público teen.

Ainda que o desenrolar da trama seja um pouco previsível, algumas reviravoltas, mesmo que simples e resolvidas rapidamente, cumprem o papel de manter o interesse do espectador na história. A solução encontrada para resolver o dilema central do longa (a invasão dos trolls no nosso mundo) é inteligente e dialoga com o universo adolescente. Desta vez, um item muito presente em suas vidas salva o dia. A mensagem que Duda e os Gnomos passa também é interessante: um lar pode ser encontrado nos lugares em que menos se espera.

O filme chega aos cinemas brasileiros em 01 de março. Confira o trailer:

por Mariana Rudzinski
marianarudzinski71@gmail.com

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