Estilo dos Diretores

2o Ciclo 1

“Written and Directed by Quentin Tarantino”. A curta sentença que abre todos os filmes de Quentin Tarantino marca não só o nome do maior responsável pelo longa que será exibido, mas também o estilo dele, facilmente reconhecido em seus trabalhos. As características únicas de cada artista são das maiores virtudes que os levam ao estrelato, mas existe um ponto em que elas deixam de ser um traço de originalidade para se tornarem algo repetitivo?

O próprio Tarantino demonstra inúmeras tendências na sua filmografia: mortes e sangue exagerados; toques de comédia em cenas sérias e a constante participação dos atores Tim Roth e Samuel L. Jackson são apenas alguns exemplos da imagem construída pelo diretor. De Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) a Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015), diferentes cenários são explorados sob o olhar de lentes que captam sempre situações parecidas. Ao assistir Kill Bill (Kill Bill, 2004) e Pulp Fiction: Tempos de Violência (Pulp Fiction, 1994), é quase impossível negar as similaridades entre eles, assim como é muito difícil afirmar que são filmes parecidos.

Apesar de paradoxal, a sutileza da Sétima Arte é seu grande charme. Saber traçar a linha tênue entre estilo, referência e cópia é essencial para qualquer cineasta. Em Os Oito Odiados, o pecado de Tarantino é muito evidente: nuances de Cães de Aluguel e Django Livre (Django Unchained, 2012) são jogadas aos montes; elas vão desde a época retratada na tela até o próprio enredo, assim, o longa meramente ultrapassa o rótulo de “mistura” entre duas antigas produções.

Trabalhar com histórias parecidas foi um tiro dado no próprio pé por Tarantino, mas existe quem saiba aproveitar muito bem esse recurso. Diretores como Martin Scorsese tem uma preferência muito clara para alguns de seus protagonistas. O diretor adora retratar algum tipo de prodígio, super talentoso, mas com claros desvios de personalidade que eventualmente o levarão a forte decadência em todos os âmbitos possíveis. O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013) e Touro Indomável (Raging Bull, 1980) se encaixam perfeitamente nessa descrição, mas as incríveis atuações de Robert DeNiro e Leonardo DiCaprio, dentre outras diversas qualidades, fazem das obras absolutamente únicas.

2o Ciclo 2

Ethan e Joel Coen são famosos por retratar cotidianos perturbados por acontecimentos absurdos e improváveis, levando os personagens a situações bizarras, como em O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998) e Fargo (Fargo, 1996). Um exemplo é a grotesca cena onde um corpo humano é jogado num moedor de madeira. Reinventando-se totalmente, os irmãos dirigiram uma produção quase que oposta: A Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, 2013), que pode parecer entediante à primeira vista, mas, conhecendo o trabalho dos idealizadores, fica clara a tentativa de fugir de um padrão. O longa protagonizado por Oscar Isaac aborda justamente uma vida mediana, sem um grande clímax ou conquistas. Por trás do simples enredo, no entanto, encontra-se a mesma genialidade de sempre. Uma trilha sonora fora de série alia-se à ótima fotografia e utilização de cores, resultando num belíssimo filme.

2o Ciclo 3

Aspectos visuais podem, eventualmente, se sobrepor a todos os outros fatores de uma produção, e demarcar um estilo por si só. Não existe um caso no cinema contemporâneo maior do que Wes Anderson e sua simetria. Cores não-usuais, figurinos caricatos e personagens com um quê de estranhice completam a imagem criada pelo diretor. Ao assistir pela primeira vez a um longa de Anderson, o espectador pode levar um tempo para se acostumar a tantas informações novas. Eventualmente a sensação passa ao deslumbre, mas logo ele se acostuma a tantas extravagâncias.

Bombardear o espectador com tantos takes parecidos torna-se enjoativo, diferentemente do que Alejandro Iñárritu tem feito nos últimos anos. Os planos-sequência foram a tônica dos sucessos de crítica Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance, 2014) e O Regresso (The Revenant, 2015). O primeiro é feito inteiramente sob essa técnica, com apenas quase duas horas de exibição. Já na produção seguinte o recurso não era tão escancarado, mas estava presente em muitas cenas. Trabalhando com o incrível diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, Iñárritu consegue sair da mesmice, apesar das semelhanças.

2o Ciclo 4

Enquadramentos, movimentações de câmera, atores e até mesmo o roteiro são elementos que caracterizam a trajetória de um bom diretor, mas que, sozinhos, não saciam totalmente o público. Reinventar-se é necessário para não cair dentro da repetitividade, tão temida pelos artistas.

Breno Deolindo
breno.deolindo.silva@gmail.com

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