Feito na América não inova, mas acerta em cheio

O filme é baseado em acontecimentos reais da vida de Barry Seal (Tom Cruise), um piloto de avião que acabou se envolvendo com o tráfico de drogas e armas do cartel de Medellín. Por tratar de um assunto denso, o longa poderia ter seguido uma temática policial ou crítica aos políticos e instituições envolvidas nos acontecimentos, mas,a ação foi escolhida como gênero principal, tornando-o prazeroso de ser assistido. Entretanto, como quase toda adaptação hollywoodiana para o cinema, há uma exagerada nos acontecimentos, o que visaria tornar Feito na América (American Made, 2017) mais interessante para seu espectador.

As mudanças, nesse caso, foram muito bem executadas. Mesmo em momentos bastante absurdos e claramente inventados, o longa nunca beira o ridículo. As cenas de ação, por sua vez, são tensas e competentemente construídas. Já os alívios cômicos, seja por meio de situações ou de falas engraçadas, não ultrapassam o limite que tornaria o filme uma comédia. As sequências são bem conduzidas de maneira que a produção é prazerosa de ser assistida, sem se levar a sério demais e nem beirar o escrachado. O filme, dessa maneira, é enérgico e dificilmente deixará alguém entediado durante as suas quase duas horas de duração.

A rápida montagem de cenas e o estilo de direção frenético de Doug Liman também contribuem para o dinamismo da produção. Feito na América ainda utiliza, como lembrete da realidade da história ou para ilustrar o período em que se passa o filme, o recurso de gravações antigas, por exemplo as do então presidente do Estados Unidos Ronald Reagan. Há também as animações, que ilustram o mapa da América e, além de trazer um pouco de humor para um assunto tão sério, ajudam a entender melhor os trajetos feitos para o transporte ilegal de armas e drogas. A narrativa de Feito Na América, também merece ser comentada: o longa é dividido em capítulos que narram uma determinada parte da vida do personagem principal, sendo a transição entre eles recheada por uma rápida e bem montada seleção de cenas. Além do mais, a história é narrada em voz off por Tom Cruise, cujos comentários elucidam o público sobre determinados pontos, evitando excessivos diálogos explicativos, e acrescentam mais um toque de humor ao filme.

O maior destaque do longa é Tom Cruise que, após o fracasso de A Múmia (The Mummy, 2017) e as críticas à sua interpretação, se encontrou em um papel em que se encaixa perfeitamente. Um ator menos carismático poderia ocasionar o fracasso do filme, uma vez que não seria qualquer um capaz de  tornar um traficante extremamente ganancioso em um personagem divertido e simpático ao público. Mas há um pequeno defeito na caracterização do personagem: não o conhecemos realmente. Quando é apresentado pela primeira vez, Barry Seal (Tom Cruise) já está envolvido em atividades ilícitas. Não sabemos sua origem, nem suas motivações. Para um filme quase que biográfico, deveriam ter sido apresentados, mesmo que bem rapidamente, tais aspectos.

Feito na América não é nada inovador, mas é muito bem executado e consegue manter seu público entretido. O longa não arrisca e se utiliza de vários elementos que deram certo em outros filmes – gravações antigas, mistura de ação com humor, personagem principal carismático, mas de caráter duvidoso – para obter um resultado final mais do que positivo.

O longa chega dia 14 de setembro nos cinemas, confira o trailer:

por Nathalia Giannetti
nathaliagiannetti@usp.br

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