Fome de Poder: a traiçoeira história por trás do McDonald’s

Fome de Poder (The Founder, 2016) conta a história Ray Kroc (Michael Keaton), vendedor infindável e ambicioso. Em mais uma de suas empreitadas, dessa vez tentando comercializar batedores de milk shake fazendo uso de um discurso pré-programado (que, apesar de convincente, não convence ninguém), Kroc recebe uma encomenda que, para seus padrões provenientes do fracasso recorrente, o deixa desconfiado. Não um, dois, seis batedores… Oito. Que espécie de lanchonete é essa, que vende tanto milk shake de uma só vez?

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Hoje, essa resposta está espalhada por 119 países, com mais de 35 mil pontos de venda. Mas, na primeira metade do século 20, era apenas um restaurante administrado por dois irmãos caipiras com bom coração e ideias melhores ainda. Ray Kroc, vendo ali uma nova oportunidade de lucrar, se estabelece. O que vem a seguir é uma trajetória tão-somente capitalista (portanto traiçoeira) que, assim como fome, traz também indignação.

O grande triunfo do longa é a evolução que enxergamos no vendedor estadunidense. Como todo perdedor, Ray causa empatia em seus primeiros momentos de aparição. No ponto em que as coisas começam a dar certo, ficamos felizes. Não apenas o guerreiro empreendedor está subindo na vida, mas ele está, gentilmente, levando os simpáticos irmãos Dic (Nick Offerman) e Mac (John Carroll Lynch) Donald’s junto nessa jornada de sucesso.

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Até que lentamente percebemos que estamos lidando com um parasita, uma lombriga que se instala e cresce sem se importar quando começa a prejudicar seu hospedeiro. Em nenhum momento Ray se transforma. Ele sempre foi assim. Nós que, cegos pela ingenuidade dos tempos passados, não percebemos sua fome de poder e até onde ela seria capaz de levá-lo.

Fome de Poder se estende para além do necessário. O filme, que em um primeiro momento pode ser confortável aos olhos com sua paleta de cores quentes e figurinos de época, logo cansa. E, ao mesmo tempo que nos vemos já saturados com a obra, vamos notando uma certa semelhança (um pouco preguiçosa) na performance de Keaton em comparação com seus últimos personagens.

 

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por Bianca Kirklewski
biancakirklewski@gmail.com

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