Fraternidade, paisagem e sertão: Entre Irmãs é um filme bonito – e entretém

O diretor de Dois Filhos de Francisco (2005), Breno Silveira, está de volta – e, dessa vez, com um épico, chamado Entre Irmãs (2017). Estrelado por Nanda Costa e Marjorie Estiano como as irmãs Luzia e Emília, o longa-metragem conta a história das duas, cujas trajetórias tomam rumos muito diferentes ao longo dos anos. Enquanto Luzia opta por permanecer no sertão e se juntar a um grupo de cangaceiros, sua irmã resolve ir viver na capital.  

Quanto às atuações, as duas protagonistas fazem trabalhos competentes. Nanda Costa convence bem na pele de uma mulher destemida e firme que não abaixa a cabeça para ninguém e nem teme homem algum. Já Marjorie Estiano interpreta com habilidade uma moça que quer subir na vida, encontrar seu príncipe encantado e viver ‘feliz para sempre’, apesar de nunca ter conhecido uma vida sem dificuldades. No entanto, suas atuações individuais não se destacam no longa-metragem – o que mais chama a atenção é a química entre as duas, que as faz parecerem, de fato, irmãs.

A direção é sutil e leve, deixando pouco espaço para que realmente se perceba que se trata de um filme. A impressão passada ao espectador é a de que o público realmente está presente e testemunhando as cenas às quais assiste, sem qualquer intervenção por parte da edição ou do enredo que faça a plateia notar que está, de fato, em um cinema.

O que deve ser ressaltado, em relação ao diretor, é o mérito de sua contribuição para a fotografia de Entre Irmãs. O maior destaque de todo o filme deve ser dado a esse aspecto fotográfico. Devido à formação e habilidades de Silveira como fotógrafo, o longa-metragem possui várias cenas em que o foco principal do enquadramento é a beleza e a aridez do sertão. Arbustos e árvores escassas contrastando com um céu esplendoroso tomam conta da tela em inúmeros momentos, imergindo o público na vastidão do Nordeste brasileiro. Com uma beleza única, esse ambiente, que é simultaneamente maravilhoso e agressivo, se torna o protagonista da obra. A destreza do diretor em capturar a essência sertaneja e transmiti-la ao espectador é única, e ajuda  a plateia a adentrar nas vidas de Luzia e Emília.

A trilha sonora também é um fator muito marcante em Entre Irmãs. Baseada majoritariamente em músicas sem letra e de melodias baseadas em cordas que remetem à cultura nordestina, ela é emocionante e pode ser considerada outro componente que ajuda a inserir o público no sertão.

Durante a coletiva de imprensa, o que predominou na conversa com os atores foi a dificuldade de rodar um filme em um ambiente tão seco. Contudo, todos eles fizeram questão de ressaltar o quão importante foi para a sua atuação sentir a imensidão do sertão brasileiro e as condições nas quais vivem as pessoas que lá moram. Nanda Costa chegou a afirmar, emocionada: “Acho que o sertão foi um grande personagem com quem eu contracenei”.

Entre Irmãs explora temas tocantes e emocionantes, e seus aspectos técnicos – especialmente a fotografia e a trilha sonora – merecem destaque. O filme estreia no dia 12 de outubro. Assista ao trailer:

Por Sabrina Brito
sabrinagabrieladebrito@gmail.com

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