Jackie: luto, tragédia e confissões

Diretor chileno com uma carreira em ascensão, Pablo Larraín produziu filmes que retratam momentos históricos de seu país, como No (2013) e biografias de personalidades do Chile, no atual Neruda (2016). Agora, o diretor deu um largo passo ao sucesso e teve o desafio de retratar uma das figuras mais emblemáticas da história dos Estados Unidos: a primeira-dama Jacqueline Kennedy em Jackie (2016).

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A escolha de Natalie Portman para o papel título mostrou mais uma vez que semelhança física com a pessoa real que o ator deve interpretar não quer dizer muita coisa. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os dois longas que tinham Steve Jobs no papel principal, primeiramente Ashton Kutcher em Jobs (2013), escolhido apenas por ser muito parecido com Jobs jovem, depois de dois anos foi muito superado por Michael Fassbender, que interpretou o inovador empresário em Steve Jobs (2015). Voltando a Jackie, a primeira-dama já tinha sido interpretada por Katie Holmes, que é realmente parecida com Jacqueline, na regular minissérie The Kennedys (2011), mas Natalie entrega algo bastante superior. O papel, que pode dar a Portman seu segundo Oscar, não é apenas a atriz com o figurino icônico, mas sim uma atuação exemplar. O semblante da primeira-dama, o tom de voz que muda ao falar com a imprensa em dois momentos distintos de sua vida, alguns exemplos que o diretor e Natalie conseguiram captar tão bem.

A história se passa nos poucos dias que sucedem o assassinato do presidente John F. Kennedy, e variam entre o atentado em si, a preparação para o velório e enterro, e a entrevista que Jackie dá ao jornalista que vai visitá-la. É uma visão sombria e crua da primeira-dama, que foi conhecida por seu estilo único (e o longa, merecidamente, também foi indicado por Melhor Figurino) e por trazer um ar de realeza para a presidência dos Estados Unidos.

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Além de mostrar as difíceis decisões e os conflitos que Jacqueline precisa enfrentar durante o processo, o filme traz a solidão do luto e as reflexões de vida que vem à tona para a protagonista. Os planos abertos dela caminhando pela Casa Branca dizem muito com muito pouco.

Outra indicação ao Oscar de Jackie foi o de Melhor Trilha Sonora, e realmente chama atenção. O tema principal, que se repete ao longo do filme, é um instrumental um tanto vintage. A trilha aqui tem o objetivo de trazer ao espectador a situação agoniante e um ar de imediatismo de um grande problema que precisa ser resolvido rapidamente.

Com estreia nos cinemas brasileiros no dia 2 de fevereiro, Jackie traz um lado intimista de uma personagem histórica, em um filme que também conversa com todos nós. A dor é universal.

Assista ao trailer:

por Mel Pinheiro
mel.pinheiro.silva@gmail.com

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