Lady Bird: A Hora de Voar – um bom começo para Greta Gerwig

Desde que foi anunciado, Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird, 2017) se tornou um dos filmes mais antecipados do ano. Mas como um longa sobre uma jovem problemática e rebelde, com vários conflitos adolescentes, e dirigido pela novata Greta Gerwig pode causar tanto tumulto? O Cinéfilos já escreveu sobre a questão no artigo “Por que Lady Bird já é um sucesso mesmo sem ter sido lançado no Brasil?” e agora fará um análise sobre o filme que retrata os problemas da adolescência de um modo fiel e descontraído.

Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan) é uma garota no último ano do Ensino Médio de uma escola cristã, com problemas nas relações com sua família e fora do círculo dos estudantes populares. Natural da pacata cidade de Sacramento, na Califórnia, Lady Bird – como faz questão de ser chamada – sonha em ir para a Costa Leste, onde a cultura está, segundo ela mesma. Esse desejo acaba sendo um dos pontos mais importantes da trama, pois sua busca acarreta nos maiores conflitos do filme que cobre a vida da adolescente durante um ano inteiro.

Lady Bird 1

A trama de Lady Bird está fortemente baseada nos “primeiros”, sendo um artifício que serve muito bem ao seu propósito. Isto é, como forma de melhor retratar este período de transição da vida adolescente para a vida adulta, o enredo do filme cobre vários acontecimentos que nunca haviam ocorrido até então na vida da protagonista. O primeiro namorado, a primeira relação sexual, o primeiro emprego, a primeira faculdade, a primeira vez morando sozinha. Todos esses momentos acabam, de alguma forma, influenciando na trajetória da personagem que passa por muitas mudanças de pensamento e personalidade ao longo do caminho.

Como esperado de uma protagonista cujo nome é usado para intitular o longa, a personagem de Saoirse é o foco e também o ponto mais desenvolvido da obra. Seguindo nessa mesma linha, seu próprio nome diz muito sobre quem a heroína da trama é. Não, não é a alcunha “Lady Bird” que faz isso, mas “Christine McPherson”. Aparentemente comum e arbitrário, esse nome lembra outro muito famoso, tanto no mundo do cinema quanto na vida real, “Christopher McCandless”. Seu dono foi um jovem americano cuja história de vida foi retratada no filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007) e que, assim como Lady Bird, possuía certas características marcantes.

Lady Bird 2

A rebeldia, vontade de quebrar padrões e tradições, desejo de ir para longe e viver uma vida diferente da que levam são traços compartilhados por ambos os personagens, além da marca mais notável dos dois: o uso de outros nomes que não os de batismo. Ainda mais, tanto Lady Bird quanto McCandless – ou Alex Supertramp – não são retratados em seus filmes como protagonistas idealizados. Apesar do espírito subversivo, muitas vezes são mostrados como egoístas e teimosos, o que dá um toque de veracidade à história. No caso da garota, tais traços ficam mais evidentes nas interações com sua mãe, como por exemplo quando dá um chilique após uma discussão sobre suas atitudes egocêntricas.

Dessa forma, um dos grandes responsáveis pela notável repercussão do longa é exatamente esse retrato maculado de uma das mais importantes fases da vida humana. Não surpreendente, a obra foi indicada a cinco Oscars em 2018, incluindo o de “Melhor Filme”.

Lady Bird: A Hora de Voar estreia no Brasil dia 15 de fevereiro. Assista ao trailer:

por Bruno Menezes
brunomenezesbaraviera@gmail.com

 

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