Liga da Justiça acerta ao construir a união de seus heróis

O quinto filme do novo Universo Cinematográfico da DC Comics, antes mesmo de estrear, já carregava grande expectativa dos fãs, que aguardavam ansiosos pela junção de seus heróis favoritos nas telonas. Assim, Liga da Justiça (Justice League, 2017) é a mais nova oportunidade para o público apreciar um bom filme de ação e se entreter por duas horas —  tempo que passa em um piscar de olhos, ou melhor, em um flash.

A narrativa se insere em uma sociedade deixada sem esperanças após a morte de Superman (Henry Cavill), na qual a população está suscetível a perigos. A ascensão de um novo inimigo faz com que Bruce Wayne (Ben Affleck) se una a Diana Prince (Gal Gadot) para, juntos, recrutar um time de heróis que seja capaz de salvar o planeta da mais recente ameaça: o vilão Lobo da Estepe (Ciarán Hinds). É nesse momento que entra em cena Barry Allen (Ezra Miller), jovem que se tornou o Flash após ser atingido por um raio; Aquaman (Jason Momoa), o guerreiro aquático e rei da civilização de Atlântida; e Victor Stone (Ray Fisher), o Ciborgue, ex-atleta que sofreu um acidente e teve grande parte de seu corpo reconstituída por componentes robóticos.

Cabe ao time, então, impedir que o vilão coloque em prática seu plano de ação: a destruição da Terra. O antagonista Lobo da Estepe e os parademônios, que são insetos humanóides, estão em busca das três Caixas Maternas, as quais unidas levarão ao apocalipse terrestre. Tais caixas foram trazidas à Terra em tempos antigos, sendo que uma delas é protegida pelas amazonas, uma pelo povo de Atlântida e uma pelos seres humanos.

A principal falha do filme reside justamente aí: no vilão. A DC teve a oportunidade de explorar um antagonista desconhecido pela maior parte do público, porém não conseguiu trazer aquele sentimento de amar odiar um personagem, como ocorre com Coringa e Lex Luthor. O fato é que filmes de super-heróis, muitas vezes, investem muito na construção dos protagonistas e esquecem da necessidade de vilões convincentes, o que se repete em Liga da Justiça.

A tão aguardada interação entre os heróis? Funciona incrivelmente bem. Um dos desafios do filme era o de conectar todos os personagens e apresentá-los ao público, uma vez que metade do time não tinha se consolidado nos novos filmes da DC. Tendo Bruce Wayne como o responsável pela união, a história se encaixa bem e as cenas deixam claro que a tendência é que o grupo se fortaleça cada vez mais.

Cada personagem é completo por si só, trazendo habilidades e experiências para abrilhantar a jornada. O filme mostra um lado mais humano do Batman, que dá tudo de si para salvar o planeta e deixa menos escondida sua faceta frágil. Parte desse comportamento de Bruce Wayne se deve à conduta da Mulher Maravilha, cuja importância no longa fica explícita sem esforço algum. Por sua vez, a personalidade de Aquaman surpreende positivamente, mostrando que ninguém melhor do que Jason Momoa poderia ter sido escolhido para um papel que mistura tanta coragem e teimosia. Mesmo sendo o personagem menos empático, o Ciborgue ainda consegue mostrar que tem muito potencial como herói e conquista os espectadores.

Um dos personagens mais aguardados, no entanto, divide opiniões. O Flash é o herói responsável pelo alívio cômico, pouco explorado pela DC, mas muito característico dos filmes da Marvel. Em Liga da Justiça, temos um Barry Allen muito jovem, explorando aos poucos suas habilidades e sem consciência de todo seu potencial. É impossível não sucumbir às risadas com algumas das falas do personagem, porém, para aqueles que têm contato com o Flash do seriado da CW, por exemplo, fica difícil estar 100% satisfeito com o desempenho dele no longa.

Além dessa maior leveza nos diálogos, o filme não carrega o teor pesado dos longas da DC. A trama é abordada sem dramas desnecessários e não traz aquele tom sombrio tão vividamente. No geral, Liga da Justiça possui cenas mais vivas, com cores menos escuras, e não é apenas mais um filme gótico de heróis. Ainda sim, o caos é muito bem representado esteticamente nas cenas de luta finais.

Definitivamente, este é um filme que não deve deixar de ser assistido. Além de contar com grandes nomes no elenco, Liga da Justiça ainda conta com uma trilha sonora incrível, que inclui uma versão de Come Together, dos Beatles. Ah, e não se esqueça de aguardar o fim dos créditos para se surpreender com uma cena fantástica!

A tão esperada estreia de Liga da Justiça acontece no dia 16 de novembro. Confira o trailer:

Por Gabriela Bonin
gabibonin@usp.br

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