Megatubarão: o blockbuster de verão que você já esperava

Vez ou outra ainda surgem produções de grandes orçamentos que tentam repetir o sucesso de “Tubarão” nos anos 70, criando obras de suspense/aventura nas quais o animal é colocado como uma grande fera assassina. Algumas tentativas até atingiram relativo sucesso, como a franquia “Sharknado”, que – apegando-se na veia do cinema trash – está para lançar seu sexto filme.

Megatubarão (The Meg, 2018) entra para o grupo dos filmes que tentaram repetir o modelo consagrado de Spielberg. Mesmo entregando um resultado previsível e genérico, o filme surpreende em diversos pontos – principalmente os técnicos – e provavelmente você sairá da sessão satisfeito, ainda mais se assistir em 4DX, um formato que literalmente extravasa as telas por meio de várias intervenções sensoriais.

A despeito do clássico protagonista mal encarado, Megatubarão tem um bom apelo. (Imagem: Divulgação)

A trama começa nos mostrando uma estação em alto-mar, onde um programa científico é realizado para investigar a ideia de que o fundo do oceano que a humanidade conhecia até então é na verdade uma fria e densa nuvem de gás, escondendo abaixo de si uma inexplorada zona abissal.

Os cientistas enviam um submarino que confirma as suspeitas e atravessa essa nuvem, e os problemas começam quando o veículo da equipe que explorava a área é atacado por uma criatura gigantesca e os prende lá. É então que surge a figura do protagonista Jonas Taylor (Jason Statham), o típico “careca bombado que vai salvar o dia”, antigo socorrista que já tinha encontrado essa criatura no passado é enviado para resgatar a equipe.
Durante o resgate somos apresentados à tal criatura monstruosa, a espécie de tubarão Megalodonte que diziam estar extinta a milhões de anos. A partir daí entramos em um encadeamento de conflitos até o final: o tubarão gigante irá retornar à superfície e entrar em confronto com os humanos. O filme joga o compromisso com a ciência pro espaço e, enfim, começamos a nos divertir assistindo.

Megatubarão segue a cartilha de blockbuster médio muito bem, ele é inteiro voltado pras cenas de ação intercaladas com momentos de humor para amenizar o clima, cheio de personagens arquetípicos e um roteiro sem pé nem cabeça. Pelo fato da censura do filme ter uma baixa faixa etária, na maioria das cenas de ação ficamos com a sensação de “quero mais”, já que os ataques do tubarão são suavizados. Mas o diretor Jon Turteltaub faz um belo trabalho com o uso de câmeras para gerar suspense, e cenas como a da pequena Meying (Shuya Sophia Cai) frente ao Megalodonte dão agonia. Mesmo com os personagens estereotipados, e os diálogos que te encolhem na poltrona por vergonha alheia, a função de entreter é inquestionavelmente cumprida, e o filme deve conquistar grandes bilheterias que justifiquem seu orçamento de 150 milhões de dólares.

O clima de tensão dos personagens nem sempre é dos mais convincentes. (Imagem: Divulgação)

Apesar da prosa desconexa e tresloucada, os detalhes técnicos são um show à parte. O começo do filme apresenta um deslumbramento pelo novo, de modo a garantir cenas coloridas e cintilantes que beiram o fantasioso. A montagem do princípio, com suas luzes e formatos futurísticos, contrasta ainda mais a potência da ciência perante a decadência da condição humana representada por Jonas. Ao mesmo tempo, a câmera se move habilmente, gerando visões impressionantes, ao passo que garante a profundidade necessária para valorizar a filmagem 3D.

Com o aparecimento do megalodon, o cenário quase contemplativo é substituído por muita velocidade, à medida que a imagem acompanha a dinâmica do animal gigantesco. Aliás, os computadores realmente deixaram cada um dos dentes do bicho bem horripilantes. Enquanto isso, a sala 4DX do Cinépolis presenteia o espectador com movimentos bruscos, golpes nas costas e espirros d’água, os quais se encaixam perfeitamente na sequência de quadros. Quem assiste sente-se o próprio protagonista encarnado por Jason Statham. Impressiona como cada minúcia é pensada com o intuito de mergulhar a audiência na experiência.

É importante considerar, de todo jeito, que a adrenalina proporcionada pela sala especial garante uma boa refrescância para as quase duas horas de Megatubarão. O longa, sem todo o aparato de interação, fica um punhado plano. Ponto significativo, quando se considera a grande maioria das salas de cinema do Brasil, que em geral não disponibilizam esse tipo de recurso, além do salgado preço (mais de R$100,00) da diversão quadridimensional.

O bom uso da câmera impressiona tanto quanto o tamanho do monstrengo. (Imagem: Divulgação)

Assim sendo, nossa visão ficou um pouco embaçada depois de muito chacoalhar na cadeira, seja de tontura ou de nadar no mar com o megalodon. De qualquer maneira, o longa-metragem proporciona sustos e risos naturalmente, logo, o entretenimento gratuito é entregue com sucesso. Por fim, Megatubarão é uma espécie de filme da sessão da tarde que tomou muito Whey, cresceu mais do que deveria e acabou malvadão.

Megatubarão estreia dia 09 de agosto nos cinemas. Assista ao trailer abaixo:

por Léo Lopes e Pedro Teixeira
leo.lopes@usp.br | pedro.st.gyn@gmail.com

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