My Little Pony – O filme: Pôneis, amizade e o clichê dos filmes infantis

No Reino de Equestria, Twilight, a Princesa da Amizade, celebra o Festival da Amizade com seus amigos pôneis e, também, com as outras três princesas do reino. Em My Little Pony: o filme (My Little Pony: the movie, 2017), enquanto buscam a organização e a perfeição do evento, os amigos da princesa se preparam e contribuem com o que podem pela festa. O estado de alegria, contudo, é interrompido pela chegada de Tempest, uma pônei que, sob o comando do Rei Storm, chega para capturar as quatro princesas, cujos chifres têm poderes mágicos que, reunidos, podem dar o poder total ao rei. Tempest consegue petrificar três princesas, mas Twilight escapa. Em busca de ajuda, a Princesa da Amizade e suas amigas vivem aventuras e fazem novos amigos enquanto Tempest, e seus capangas as seguem.

My Little Pony

Imagem: reprodução

As personagens principais, com exceção de Tempest, são o estereótipo de “pônei fofinho”. Sempre alegres e cantarolantes, encaram todos os obstáculos com positividade e esperança inesgotáveis: entre músicas e vozes estridentes, os momentos de tristeza ou decepção são raros. O filme passa uma mensagem interessante sobre o poder da união e, claro, da amizade, mas atinge um público infantil restrito, especificamente crianças de 5 ou 6 anos, que gostem muito da temática, rasa e previsível. Como mostrada em vários filmes infantis, a amizade é o que mais se preza, é o que pode salvar o dia, não importa o que aconteça. Por mais que Twilight seja a princesa mais jovem, menos séria e, aparentemente, menos poderosa, é ela quem triunfa devido ao apoio dos amigos.

Um ponto interessante em My Little Pony: O Filme é o protagonismo feminino. Todas as figuras de real autoridade, com exceção do Rei Storm – que aparece muito pouco ao longo do filme – são personagens do gênero feminino. Acontecem reviravoltas que, de certa forma, enfatizam o poder da união entre as meninas, a sororidade.

A estética da animação deixa a desejar: não é muito sofisticada em termos de qualidade gráfica, mas não deixa de entreter o público-alvo. O desenho é de fato simples, como a própria temática, e, de certa forma, exagerado, com muito brilho e cores extravagantes, tudo muito desnecessariamente fofo, mas que pode agradar, novamente, crianças que gostem da temática. As personagens constantemente exploram um humor forçado, não muito eficiente, com piadas mal feitas e personagens insistentemente desastradas, mas que pode divertir em alguns momentos, especialmente os mais jovens. Ainda assim, a mensagem final, de que a união faz a força, é passada de forma eficiente, e é, realmente, importante de  ser transmitida.

My Little Pony

Imagem: reprodução

O final não é inovador e desfecho da história não é, de modo geral, muito criativo, com a felicidade e a agitação restauradas, além de as relações entre as personagens ficarem melhores e mais fortes do que nunca antes. As novas amizades são mantidas e reunidas em uma grande festa, como deveria ter sido o Festival da Amizade, com um show de uma pônei inspirada na cantora Sia. A trilha sonora, na qual predominam músicas tão estridentes e agudas quanto as vozes das pôneis principais, é salva pela única música cantada por Mariana Rios, que dubla Tempest na versão brasileira, e pela música de encerramento, também cantada por Sia.

My Little Pony: O Filme chega aos cinemas no dia 5 de outubro. Assista ao trailer:  

 por Julia Mancilha
juliabman@gmail.com

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