O Biscoito Assassino: indigestão cinematográfica

por Bianca Kirklewski
biancakirklewski@gmail.com

O Biscoito Assassino (The Gingerdead Man, 2005) conta a história de Sarah, uma padeira que presenciou o assassinato de seu pai e irmão, vítimas de Millard Findlemeyer, um criminoso desequilibrado que mata por diversão.

Certo dia, a padaria decadente de Sarah recebe uma misteriosa caixa de gengibre em pó, que seria usada para a temporada de biscoitos que se aproximava. Tal acontecimento ocorre poucos dias depois da execução da pena de morte de Findlemeyer.

Sem se dar conta, a padeira estava trazendo de volta à vida aquele que tinha sido responsável pela sua desgraça: o gengibre presente na caixa havia sido misturado com as cinzas de Millard. A confecção do vilão que leva o nome do filme pode ser exemplificada pela seguinte receita:

Receita de biscoito assassino

O problema é que Sarah não seguiu a última etapa dessa receita fictícia criada pelo Cinéfilos e tanto ela quanto os outros personagens da história resolvem ficar na padaria para entender o que estava acontecendo com esse biscoito ambulante e raivoso. A reencarnação comestível de Findlemeyer se aproveita da situação e começa a matar indeliberadamente todos aqueles que passavam por seu caminho.

O filme recém-descrito se encaixa na categoria trash. Propositalmente despretensioso, é derivado de uma história indigerível, personagens fracos e efeitos de qualidade inferior.

biscoito assassino 2

O maior obstáculo de longas que têm o objetivo de serem ruins é que eles têm que ser muito bons. É uma lógica cinematográfica paradoxal, mas recorrente: muitos filmes que tem o anseio de serem bons, mas acabam sendo ruins, passam a ser adorados por algum nicho cinéfilo, e se tornam bons filmes ruins. O que acontece com O Biscoito Assassino é que ele trilha por um caminho inoportuno: é um filme que quer ser ruim, acaba sendo ruim, e resulta apenas num ruim filme ruim.

biscoito assassino 3Ainda que possua um enredo ridículo (mas interessante), O Biscoito Assassino é cansativo. Relativamente curto, seus 75 minutos de duração demoram a passar. A falta de bom senso dos personagens incomoda. A interpretação preguiçosa e o sotaque exagerado (a história se passa no Texas) não convencem. O telespectador que se aventurar a assistir o longa vai ter que fazer certo esforço para se divertir.

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