O Cinema, o Jacaré e a Universidade

Alexandre D’Allara e Mariana Brecht

Numa quinta – feira, que não negava a vocação dessa cidade para a garoa, na sala 27 do prédio do Departamento de Cinema, Rádio e Tv ECAno, Maria Isabel, mais conhecida como Mabel, aluna do quarto ano de Audiovisual na USP preparava os equipamentos para a projeção especial da MECA (Mostra Ecana de Cultura e Arte) do Cineclube Jacaré.

Dessa vez, os curtas exibidos não só eram os produzidos pelos alunos do departamento, como de praxe, mas tratavam – se de projetos que foram filmados antes que os realizadores se iniciassem na vida USPiana.

Depois da demora de sempre para conseguir as chaves da sala, que se impõe em tempos de greve. Subimos então ao segundo andar do prédio, que é novo quando comparado aos seus semelhantes da ECA – USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo). Mabel acendeu as luzes, checou, incerta, os equipamentos – nada mais que um projetor e duas caixas de som, acompanhados por um laptop de um colega do curso.

Começamos então nossa rápida entrevista e menos de quinze minutos depois, havíamos feito todas as nossas inexperientes questões sobre o Cineclube Jacaré, exibição semanal de curtas feitos pelos estudantes, e nos familiarizado com as dificuldades de produção desses vídeos. As convenções formais impostas pela universidade, a preocupação com o público especializado e com a técnica, as obrigações acadêmicas são obstáculos a serem transpostos entre a criatividade e o produto final, os filmes.

E foi justamente isso que notamos, minutos depois, com a projeção dos vídeos dos nossos colegas do departamento ao lado do nosso querido CJE (Departamento de Jornalismo e Editoração), habitat dos jornalistas USPianos.. Os curtas e clipes, que datam de eras pré – ECAnas eram espontâneos, livres, criativos. É incrível o que uma câmera na mão, uma ideia na cabeça e nenhum compromisso podem construir.
Depois, a discussão entre os presentes no Cineclube: o que se ganhou, o que se perdeu quando o resultado da FUVEST saiu e o cineasta de quintal virou um sério universitário com responsabilidades acadêmicas, um nome e um portfólio a honrar. Como passar quatro anos sem que a técnica supere a inspiração e tentar fazer com que a universidade forme, não formate. Lamentamos o talento encarcerado e, cúmplices, nos entreolhamos. Isso não só acontece nas terras longínquas do CTR, mas também aqui entre nós jornalistas, que muitas vezes somos prisioneiros das formalidades atribuídas a um bom texto e, consequentemente, temos nossa criatividade reprimida.

Achamos válido informar a você, caro leitor, que (quase) toda semana o cineclube Jacaré, com produções ECAnas, acontece e os mais notáveis serão divulgados aqui. As sessões costumam acontecer às quartas no horário do almoço, e quintas pré quinta e breja (notável evento ECAno!), alternadamente. Uma amostra do que foi a última sessão, com os vídeos amadoríssimos, está nos links abaixo:

The Read Death

A Queda de Bia

Maria la del Barrio

Guia de Como Chegar em uma Garota

My Immortal (Imortalidade)

Chikyuu Kanrinin Shundasko – Ep. 1 “Hoje é sábado”

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