Não sai de moda: 10 anos de O Diabo Veste Prada

por Lucas Almeida
almeidalucas1206@gmail.com

No dia 30 de junho desse ano, O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006) completa 10 anos do seu lançamento nos Estados Unidos. O filme foi um inesperado sucesso mundial, além de deslanchar a carreira de vários atores e contribuir para o processo de democratização da moda, que é um assunto debatido ainda nos dias atuais.

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Baseado no best-seller de Lauren Weisberger, o longa acompanha Andrea Sachs (Anne Hathaway), uma jovem recém-formada em jornalismo que começa a trabalhar como assistente da editora-chefe na revista de moda Runway. No entanto, o emprego pode ser um pouco mais complicado do que parece. Sua chefe, Miranda Priestly (Meryl Streep) é muito exigente e arrogante, fazendo com que seus funcionários se dediquem integralmente à empresa.

Entre todo o glamour do mundo da alta costura, desconhecido até então, e seus antigos sonhos, Andrea tenta entender quem realmente é e o que deseja fazer sobre o seu futuro.

Antes de escrever o livro, a escritora Lauren Weisberger trabalhou como assistente de Anna Wintour na revista Vogue por dez meses e por isso, houve diversas especulações sobre a personagem Miranda Priestly ser inspirada na mesma. O filme apresenta diversas referências à Vogue americana, como o próprio escritório de Priestly e modelos de capas que aparecem em algumas cenas. Wintour ainda é conhecida por usar frequentemente óculos escuros (como Miranda) e compareceu à premiere da produção usando um vestido Prada.

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No entanto, durante toda a turnê de divulgação, Meryl Streep disse que não tinha inspirado seu personagem na editora-chefe e sim em homens que havia conhecido, afirmando que “infelizmente, não há mulheres o suficiente no poder, ou pelo menos, eu não as conheço, para copiar”.

Em uma recente entrevista para a revista Variety, para comemorar os 10 anos do filme, Streep revelou que a forma de falar da personagem foi inspirada no baixo tom de voz usado por Clint Eastwood e no modo irônico afiado de Mike Nichols. A elegância e o estilo foram baseados na política francesa Christine Lagarde e na modelo Carmen Dell’Orefice, da qual também copiou o cabelo.

Em 2009 foi lançado o documentário Vogue – A edição de setembro (The September Issue, 2009), que mostra a criação da maior e mais famosa edição do ano da revista e acompanha o dia-a-dia de Anna Wintour e a sua relação com os seus funcionários. Durante a produção, mostra-se como a editora-chefe é realmente rigorosa com seu trabalho e influente no meio da moda. No entanto, Wintour aparenta ser mais descontraída e gentil do que a personagem interpretada por Meryl Streep.

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Um fator marcante de O Diabo Veste Prada foi a sua grande lista de participações especiais. As modelos Heidi Klum e Gisele Bündchen, o estilista Valentino Garavani e ainda personalidades como Nigel Barker e Ivanka Trump participaram das gravações para o longa.

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O filme fez parte de um movimento que ganhou cada vez mais força ao redor do mundo: a democratização da moda e o interesse das massas por conhecer mais sobre a alta costura. Cenas como a explicação de Miranda sobre a história do uso do azul cerúleo pelos estilistas e a apropriação dessa tendência, até a compra do suéter por Andrea, são exemplos de como a história dissemina um pouco dessa cultura. Programas televisivos lançados mais tarde, como Project Runway e Fashion Police, também são exemplos desse movimento.

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O sucesso da produção foi muito maior do que o esperado pelos próprios criadores. O filme teve orçamento de US$ 35 milhões e conseguiu lucrar mais de US$ 325 milhões nas bilheterias mundialmente, ficando em segundo lugar nos Estados Unidos na sua semana de estreia, perdendo apenas para Superman – O Retorno (Superman Returns, 2006).

Para o elenco, o êxito também foi notável. Emily Blunt, que representa a primeira assistente de Miranda declarou para a Variety: “Não tinha ideia que as minhas falas seriam citadas para mim, toda semana”, se referindo ao que ouve quando encontra fãs do filme. Depois do papel, a atriz participou de diversas produções grandes como Sicario: Terra de Ninguém (Sicario, 2015) e A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria, 2009). Anne Hathaway ainda disse “Eu nunca tinha testemunhado uma estrela nascer antes”, sobre Blunt. “Essa foi a primeira vez que eu vi acontecer”.

Hathaway também teve um grande impulso na carreira depois do lançamento. Foi o primeiro longa adulto que a atriz protagonizou. Antes havia estrelado apenas em produções para o público jovem, como O Diário da Princesa (The Princess Diaries, 2001) e Uma Garota Encantada (Ella Enchanted, 2004).

Além disso, o filme foi bem recebido pela crítica em geral, e fez sucesso nas premiações. O longa recebeu indicações ao Oscar de Melhor Figurino e de Melhor Atriz, para Meryl Streep, que ainda ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz de comédia ou musical.

Em 2013, a autora Lauren Weisberger lançou “A Vingança Veste Prada: O Diabo Está de Volta“, a sequência do seu primeiro livro. E assim, começou uma grande especulação sobre uma nova adaptação da história para as telonas. Antes mesmo do lançamento do livro, Streep havia dito ao Acess Holywood que “com certeza teria que perder peso, mas faria isso sim”. Já Anne Hathaway, declarou recentemente que adoraria fazer um filme diferente com todo o elenco de novo, mas que “o primeiro tem simplesmente o tom certo. É bom deixar do jeito que está”.

De qualquer forma, O Diabo Veste Prada continua fazendo sucesso e conquistando novos fãs, mesmo depois de uma década do seu lançamento. Além de abrir novas portas para o elenco, ajudou a construir uma nova visão sobre o mundo da alta costura. E como afirmou o ator Stanley Tucci, que interpretou o editor Nigel: “os filmes brilhantes tornam-se influentes, não importa o assunto”.

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