O Homem Perfeito: comédia romântica boa e brasileira

 

Sabe aquelas comédias românticas americanas muito fofas e com final previsível que conquistam seu coração? E se eu te dissesse que agora nós ganhamos um filme brasileiro assim? O Homem Perfeito (2018), dirigido por Marcus Baldini, é um longa que se encaixa perfeitamente nessa descrição.

(Imagem: Divulgação/Downtown Filmes)

A história gira em torno de Diana (Luana Piovani), uma mulher de meia idade, trabalhadora, bem sucedida e independente, que não recusa certo conforto. Ela escreve biografias e outros livros para pessoas famosas, o chamado ghostwriting. É assim que sustenta a si mesma e a seu marido Rodrigo (Marco Luque), um eterno adolescente. Desenhista de quadrinhos e um fã da cultura geek no geral, ele acredita que para ser feliz não é preciso muito dinheiro, roupas elegantes ou um apartamento próprio.

É por causa dessas duas visões de mundo tão diferentes que o casal discute já no início do filme. Para Diana, ele não tem as ambições que um adulto deveria ter. Para Rodrigo, ela não é mais a pessoa divertida da época da faculdade. Assim, o casamento acaba, e Rodrigo revela já ter conhecido Mel (Juliana Paiva), uma menina jovem que pensava como ele e com quem queria viver. Diana não aceita bem a separação e se recusa a seguir em frente. Ela quer o marido de volta, e começa a pensar em como poderia trazê-lo para casa.

Rodrigo e Mel decidem viver juntos. (Imagem: Reprodução/Downtown Filmes)

Nesse meio tempo, Diana conhece Caíque (Sérgio Guizé), um cantor de rock marrento que tem uma péssima imagem diante da mídia. O trabalho da escritora seria exatamente melhorar essa imagem através de uma autobiografia inventada do cantor, que contasse uma história de vida difícil com a qual as pessoas se solidarizassem, mas Diana reluta.

Em meio a tudo isso, surge a ideia do “homem perfeito”. Ela aceita escrever o livro, em troca da ajuda de Caíque em um plano para reatar seu casamento. Através do perfil fake de um homem que seria a alma gêmea da jovem Mel, Diana pretende seduzi-la, deixando o caminho livre para que Rodrigo volte para ela. Mas é realmente isso que vai fazê-la  feliz?

Diana e Caíque têm a ideia do “homem perfeito” (Imagem: Reprodução/Downtown Filmes)

À medida que o enredo se desenrola, somos cativados por cada um dos personagens, até mesmo por Diana, que manipula Mel durante toda a história. Isso porque vemos que as ações de Diana refletem mais fragilidade do que raiva e maldade. Sentimos por ela compaixão, ou até pena. Quando se separa, ela cria uma ideia fixa em voltar com o marido, talvez por medo de não encontrar alguém que a amasse de novo. A vida com Rodrigo também não era ideal para ela, não a fazia feliz, mas era algo estável e seguro. Porém, ao longo da história Diana amadurece e se arrisca para procurar sua felicidade, o que faz a personagem ainda mais interessante. O tempo todo torcemos pela protagonista, o que é simplesmente ideal.

A atuação de Luana Piovani também é muito significativa para a construção da personagem principal, “adoravelmente chata”, como descreveu o diretor Marcus Baldini em coletiva de imprensa. Luana soube dosar muito bem as duas qualidades e trazer à vida uma personagem extremamente humana, fazendo-a amável mesmo com tantos defeitos.

Diana é adoravelmente chata e possui defeitos como qualquer pessoa. (Imagem: Divulgação/Downtown Filmes)

Os demais personagens são bons, mas poderiam ser melhores se menos clichês. A figura do rockeiro e do nerd são um pouco exageradas, talvez em nome do humor. Apesar disso não desmerecer a qualidade do longa, não custava nada criar figuras mais verossímeis como a da Diana. Também pode ser notado um exagero em algumas cenas dramáticas, que não convencem e dão a entender que, de fato, o forte do filme é a comédia.

No mais, o longa é muito bem produzido. Os diálogos entre os personagens contém uma linguagem um pouco mais vulgar e deles participam alguns palavrões e expressões do dia a dia. O interessante é que esses palavrões contribuem para deixar as conversas mais naturais, e não constroem um humor apelativo. Pelo contrário, o humor presente é na verdade mais brando, o que segundo o diretor é algo que lhe agrada numa comédia romântica. Marcus Baldini também diz que os atores foram essenciais na construção desse aspecto na comédia. Nem sempre a piada está apontada, e muitas vezes quem interpreta é que acaba dando a graça das situações.

O ritmo da história é envolvente, e junto com a trilha sonora faz com que o tempo passe muito rápido, de forma que talvez você nem perceba quando o filme acabar. O final é sim previsível, mas os caminhos tomados pelos personagens até ele são surpreendentes, e aquela agoniazinha de “será que eles vão ficar mesmo juntos?” está garantida. O romantismo presente não deixa nada a desejar, sendo outra coisa muito bem dosada pelo diretor Marcus Baldini. Os amantes do gênero comédia romântica devem ficar bem satisfeitos.

O Homem Perfeito simplesmente cumpre aquilo que promete, permitindo ainda uma identificação por parte de nós, brasileiros, que não temos com os filmes americanos, os quais se passam em lugares dos quais nunca ouvimos falar e com pessoas que não se parecem conosco. Ele também vem pra provar que não é só Hollywood que consegue fazer boas comédias românticas. A gente também consegue. Não é porque o filme é brasileiro que ele é pior, e quem for aos cinemas pensando isso deve se surpreender bastante.

O Homem Perfeito estreia dia 27 de setembro de 2018. Saiba um pouco mais sobre o filme no trailer abaixo:

por Marina Faleiro Caiado
marinafcaiado@usp.br

 

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