O Que te Faz Mais Forte: sensível porém vago

O Que te Faz Mais Forte (Stronger, 2017), filme dirigido por David Gordon Green e roteirizado por John Polono que estreia no Brasil nesta quinta-feira (08), conta a história de Jeff Bauman (Jake Gyllenhaal), que perdeu as duas pernas na explosão de bombas na Maratona de Boston em 2013. O filme, que foi baseado em fatos, narra não só o acidente de Jeff, que estava perto da linha de chegada esperando a ex-namorada Erin Hurley (Tatiana Maslany) que participava da maratona, como o processo de superação e adaptação das personagens à nova vida.

O retrato pessoal é a marca do filme, que busca passar pela tangente do patriotismo não deixando, porém, de apontar a ideia do estadunidense sobre o ataque, sobre guerra e terrorismo. Tratando-se de um mergulho ao sentimento e postura das personagens, o filme peca em alguns momentos por não se aprofundar mais, por exemplo, na figura da mãe de Jeff, Patty Bauman. Miranda Richardson, que dá vida à personagem, consegue apresentar muito bem as facetas da mulher que hora ou outra porta-se como uma mãe imprudente à situação de seu filho mas que o ama muito acima de tudo. No entanto, o espaço dado a ela no filme parece insuficiente diante de toda sua complexidade na história.

O Que te Faz Mais Forte

(Divulgação)

A sensação de que faltaram mais detalhes sobre como viviam as pessoas ao redor da personagem principal se expande também à Erin Hurley. Nota-se, em cenas diversas, a culpa que ela carrega por ter sido a responsável pela presença de Jeff na maratona, mas isso não é desenvolvido em momentos nos quais essa culpa passa a não ter mais vida dentro da relação que ela e o personagem de Gyllenhaal cultivam. O que é transmitido por meio de cenas do casal, ou de Maslany sozinha, é que há um incômodo na personagem diante da vida que vive depois do acidente de Jeff. Isso, entretanto, não é muito bem apresentado no filme, e a sensação que fica é de que a personagem queria dizer algo a mais.

Cenas que não trazem nada de novo à história, também são um ponto fraco de O Que te Faz Mais Forte. Momentos como as lembranças sangrentas de Jeff sobre o acidente demonstram que, em meio a determinadas situações, a personagem relembra sobre o ocorrido. No entanto, isso não é desenvolvido dentro do longa-metragem fazendo com que o choque que deseja passar ao público seja o intuito único destas cenas.

O Que te Faz Mais Forte

(Divulgação)

A vontade de conhecer a situação de Bauman, que se tornou um herói americano sem querer, e a atuação de Jake Gyllenhaal é o que prende à tela quem assiste ao filme. A ideia que se passa de que não é necessário gostar de uma personagem só porque ela perdeu as duas pernas e encontra-se com dificuldade de adaptação a isso é um ponto fortíssimo de O Que te Faz Mais Forte. Jeff era um ex-namorado um tanto quanto possessivo, torna-se um namorado que não se importa com seus compromissos, não tem incentivo, muitas vezes, de se recuperar, é um beberrão de quinta categoria, entre outras características negativas. Nesse ponto, não há apelo para que o público se solidarize com ele. Nota-se, então, a busca pela veracidade, como um filme baseado na vida real de alguém, de não tornar a personagem em um ser imaculado depois de sofrer um acidente. E Gyllenhaal consegue passar isso muito bem ao público. Seu desespero, antipatia, agonia, dor e displicência, encaixam como uma luva a sua atuação que, em diversos momentos, foi impecável.

Dentro da sala de cinema O Que te Faz Mais Forte pode fazer você chorar, fechar os olhos se não gosta muito de sangue, rir com a família Bauman, sentir vontade de xingar Jeff e ao mesmo tempo de abraçá-lo. Não se trata de um filme magistral, contém inúmeros defeitos mas dentro da proposta que busca passar, cumpre seu papel.

O Que te Faz Mais Forte estreia dia 8 de fevereiro no Brasil. Confira o trailer:

por Camilla Freitas
camilla.freitasoares@gmail.com

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