O sucesso atemporal de De Volta para o Futuro

por André Meirelles
andremcdg@gmail.com

Já pensou se pudéssemos realizar viagens no tempo e presenciar momentos históricos da nossa humanidade, como o nascimento de Cristo ou a Independência do Brasil? Ou quem sabe viajar para o futuro e ver como serão nossas vidas daqui 20 ou 30 anos? Um dos grandes sucessos do cinema dos anos 80 retratou esse conceito tão explorado pela ficção científica: a viagem no tempo.

Na trilogia de De Volta para o Futuro, do diretor Robert Zemeckis, isso foi possível graças a uma das últimas invenções do Dr. Emmett Doc Brown, representado pelo ator Christopher Lloyd. Após 30 anos de criação, o cientista desenvolveu uma máquina do tempo em um carro DeLorean DMC12, capaz de mudar de época após o veículo atingir 88 milhas por hora, o equivalente a 142 quilômetro por hora. A invenção é movida a plutônio e só é capaz de se deslocar no tempo graças a um aparato chamado de “Capacitor de Fluxo”, que exige 1,21 Gigawats de energia, providenciada pela fissão nuclear.

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Marty Mcfly e Doc ao lado do DeLorean, a máquina do tempo que precisa de 1,21 Gigawats para viajar entre épocas

A história do filme concentra-se na figura de Marty McFly, representado por Michael J. Fox, um adolescente americano típico dos anos 80 que sonha em ser uma estrela do rock. Na primeira produção da saga, De Volta para o Futuro I (Back to the Future I, 1985), Marty é enviado acidentalmente para o passado, mais precisamente para 5 de novembro de 1955, data que “Doc” havia programado no carro como exemplo durante a apresentação.

Ao explorar sua cidade no passado, Hill Valley, o garoto encontra seu pai, George, e sua mãe, Lorraine, quando adolescentes. No entanto, sua mãe acaba se apaixonando pelo próprio Marty e para garantir a existência dele e de seus irmãos no futuro, o garoto tenta fazer com que George e Lorraine se apaixonem. Ao mesmo tempo, ele encontra o Doc de 1955 e pede sua ajuda para voltar a 1985. Sem plutônio disponível na época para gerar os 1,21 Gigawats, a dupla precisa encontrar alguma fonte de energia capaz de chegar a esse número e que seja disponível no ano de 1955. A ideia de consegui-la é impressionante e muito bem construída.

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Ao voltar a 1955, Marty precisa fazer com que seu pai e sua mãe se apaixonem

Em De Volta para o Futuro II (Back to the Future II, 1989), o segundo sucesso da trilogia, Marty viaja 30 anos para o futuro, exatamente na data 21 de outubro de 2015, onde encontra com o seu eu mais velho, em que já é casado e tem filhos. No entanto, o mais interessante dessa segunda parte é a recriação feita de Hill Valley no futuro, onde há a presença de uma infinidade de invenções e hábitos que os produtores acharam que existiriam no ano de 2015. Mas será que tudo aquilo que eles previram para este ano realmente aconteceu? Veja o que o De Volta para o Futuro II acertou e errou para os dias de hoje.

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A segunda produção da trilogia mostrou as previsões que os produtores tinham para 2015

O filme não deixa de lado a invenção que mais foi prevista e errada pela população na época, que são os carros voadores. O próprio DeLorean adquire tal progresso, além de mudar sua fonte de funcionamento. No futuro, o veículo reaproveita todo o lixo orgânico e inorgânico, os transformando em energia. No entanto, os inventos que mais fizeram sucesso foram outros: o famoso skate voador chamado de Hoverboard e o tênis sem cadarços que se aperta sozinho com o toque de um botão, o aguardado Power Laces, da Nike. Apesar de existirem vários vídeos falsos de pessoas andando em uma espécie de Hoverboard, como o próprio skatista Tony Hawk, o skate ainda é algo que está em desenvolvimento. Já com relação ao tênis, a empresa americana prometeu lançá-lo ainda esse ano.

Outros hábitos previstos para 2015 também foram acertados, como comando de voz para acionar microondas, maçaneta e pagamento biométrico, e conversas por videoconferência. As duas grandes apostas dos produtores e que atualmente são bem difundidas são a presença de drones para execução de tarefas e os modernos wearables, também conhecidos como os modelos do Google Glass. Já entre as previsões fracassadas também se somam o uso de duas gravatas, a abolição dos advogados e o costume dos adolescentes de usarem roupas do avesso.

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O tênis Power Laces da Nike e o skate voador Hoverboard são alguns dos inventos de De Volta para o Futuro II que mais fizeram sucesso

No terceiro filme da trilogia, De Volta para o Futuro III (Back to the Future III, 1990), Marty volta à Hill Valley do Velho Oeste, no começo de sua construção, durante o ano de 1885, após receber uma carta do Dr. Emmet Brown datada do mesmo ano. Seu principal objetivo é salvar Doc de um assassinato, fato que descobriu que ocorreria exatamente naquele ano. Lá, ele conhece seus parentes mais antigos, como seu tataravô, e o Doc de 1885, um ferreiro que está fugindo de uma gangue de bandidos e que se apaixona por uma professora chamada Clara.

Após Marty conseguir salvar a vida do doutor, a aventura da última saga se desenrola na tentativa da dupla de voltar ao ano de 1985. No entanto, reencontram o veículo sem gasolina para realizar a viagem e tal combustível só existiria no século seguinte. Para fazer com que o veículo chegue às 88 milhas, Doc tem uma brilhante ideia usando os recursos da época.

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O desafio da dupla em 1885 é fazer o DeLorean atingir as 88 milhas por hora e voltar para o futuro

No ano em que completa 30 anos, a trilogia de De Volta para o Futuro ainda é vista como um dos grandes sucessos da história do cinema. Um dos principais méritos da saga foi justamente a capacidade de despertar a imaginação do espectador, explorando um assunto tão fantástico que é a viagem no tempo. Tanto mostrando trajes, costumes e hábitos do passado quanto as possíveis mudanças do futuro. Tudo isso dentro de um roteiro divertido, cômico e envolvente, dirigido por Roberto Zemeckis. A repercussão que os três filmes tem até hoje prova que eles se consolidaram como uma das obras cinematográficas que ficarão eternas no tempo.

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