41ª Mostra Internacional de SP: O Vento Sopra Onde Quer

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Os relacionamentos homoafetivos são, de forma geral, pouco retratados no cinema. Nos últimos anos, verifica-se uma tendência crescente de trazer filmes que tratem da temática LGBT, embora a maioria seja de forma excessivamente romantizada e, portanto, irrealista. Compondo o plano de fundo de O Vento Sopra Onde Quer (Vinden blåser vart den vill, 2017), o namoro de duas mulheres é exposto de forma simples, sem contornos idealizados, mas com a intensidade comum à qualquer relação.

Numa viagem de carro que deu errado, Elma (Mira Eklund) e sua namorada se perdem no interior da Suécia. Procurando abrigo, as duas acabam entrando em conflito consigo mesmas e começam a questionar o quanto ainda desejam estar naquele relacionamento. Durante a noite, a namorada de Elma (Bianca Cruzeiro) parte com o carro e a abandona na casa de uma família que as acolheu naquela manhã. Após o término, Elma parte numa jornada de autoconhecimento e descobertas por estradas desconhecidas.

O Vento Sopra Onde Quer

Imagem: reprodução

O filme todo se desenvolve a partir dos acontecimentos das viagens de Elma, apresentando pessoas e lugares que conheceu, ao mesmo tempo que retoma suas atividades como escritora. A intenção, porém, é de fato somente apresentar: não é mostrado como ela conhece essas pessoas ou de que forma criam vínculos de amizade. São exibidas apenas uma sequência de conversas em roda regadas a muita bebida alcoólica e música, numa interação agradável e divertida do elenco que perdura ao longo dos seis atos — intimidade essa que é, definitivamente, um dos pontos altos do longa.

O Vento Sopra Onde Quer

Imagem: reprodução

O nomadismo da personagem nos permite observar os lugares pelos quais caminha, compostos de belas paisagens montanhosas suecas. O aspecto natural somado a um inteligente jogo de luz proporcionam aos olhos muitos momentos de êxtase estético, fazendo-nos percorrer toda a tela em busca de mais aspectos agradáveis da imagem.

Apesar de encantador aos olhos, o filme é em alguns momentos incompreensível — os silêncios absolutos e o caráter metafórico não nos permitem o total entendimento das novas verdades de Elma. Estados onírico e metafísico também estão presentes com muita força na produção, ainda que desnecessários e ilógicos, já que não ajudam o entendimento geral do filme e nem proporcionam reflexões profundas. Além disso, é impossível saber exatamente o que são esses momentos: delírios da personagem principal? Efeito das drogas? Interferência da produção? Não são dadas informações suficientes que nos permitam entender.

Numa narrativa que não caminha para lugar nenhum — já que a personagem termina da mesma forma que começou —, o filme é um apanhado de momentos e experiências vivenciados por Elma como uma tentativa de se recuperar de um fim do relacionamento. Isso, quando acrescentado à fotografia bonita e a uma protagonista confusa, poderia muito bem compor um pacote de produção de qualquer filme cult intermediário.

O filme será exibido na 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que tem início no dia 19 de outubro.

[TRAILER]

por Giovanna Jarandilha
giovannajarandilha@gmail.com

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