A oscilação entre o trivial e o novo em Operação Red Sparrow

Operação Red Sparrow (Red Sparrow, 2017) é, ao mesmo tempo, clichê e surpreendente. Isso talvez pareça um paradoxo, mas, quando se assiste ao filme, essa relação dicotômica fica clara. O filme trata da russa Dominika (Jennifer Lawrence), que tem sua carreira de bailarina no Balé Bolshoi terminada após uma lesão. Para sustentar a si mesma e a mãe doente, ela aceita participar de uma missão relacionada ao governo russo a convite de seu tio Vanya (Matthias Schoenaerts).

Dirigido por Francis Lawrence, o longa mostra uma nova Guerra Fria, agora nos dias atuais, em que agentes da CIA e do sistema de inteligência russo se digladiam por informações. Nesse cenário, a personagem de Lawrence se mostra como uma sobrevivente, que faz de tudo para continuar viva e cuidar de sua mãe. Durante as quase duas horas e meia de filme, vemos Dominika em uma academia de agentes secretos, na qual eles aprendem a seduzir o inimigo, em missão para o governo russo, para o governo americano e até cometendo assassinatos. Apesar de a personagem oscilar entre russos e americanos durante todo o filme, é perceptível que, em nenhum momento, ela trabalha para alguém além de si mesma.

Para garantir sua sobrevivência, Dominika recebe a missão de rastrear um agente da CIA (Joel Edgerton) e descobrir quem é seu informante dentro do governo russo. Com isso, se desenvolve uma relação que, até a cena final, o espectador não sabe se é real ou apenas manipulação.

A produção de Operação Red Sparrow, mesmo que básica, atende às necessidades do thriller, o qual conta com diversas cenas de violência e nudez. De acordo com o diretor em coletiva de imprensa, a ideia sempre foi realizar um filme mais adulto, por isso a intensidade das cenas. Outro elemento interessante é a trilha sonora, quase inteiramente composta por música clássica, que faz a trama parecer um grande espetáculo no qual ninguém revela a verdade completamente.

O problema do enredo aparece no conflito entre Rússia e Estados Unidos, que já foi explorado inúmeras vezes no cinema. Esse é o clichê. O inesperado aparece na personagem de Lawrence, que monopoliza o filme com uma atuação contida mas eficiente, concentrada no olhar. A protagonista forte e que consegue ser bem mais eficiente do que seus colegas do sexo masculino em tudo o que faz é um alívio à técnica da “donzela em perigo”, tão usada em Hollywood.

Operação Red Sparrow não é a obra cinematográfica mais revolucionária, mas suas reviravoltas, cenas intensas e a personagem instigante de Jennifer Lawrence fazem com que seja um ótimo entretenimento.

O filme estreia dia 1 de março. Confira o trailer:

Por Maria Carolina Soares
mcarolinasoares@uol.com.br

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