Festival Varilux 2016: Os Cowboys

por Juliana Lima
juslimas@gmail.com

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Os Cowboys (Les Cowboys, 2015) começa com uma festa, típica de cowboys. Apesar do cenário animado e das demonstrações de carinho e alegria entre a família, há um suspense no ar. Na mesma festa, a garota Kelly desaparece, deixando os pais preocupados. A primeira pista de seu paradeiro é um caderno da menina com dizeres árabes. Mais tarde, a hipótese de que Kelly havia se convertido ao islã é confirmada. Quando sente que as autoridades não estão fazendo o maior esforço possível para encontrar sua filha, Alain parte em busca da mesma.

Tal jornada torna-se mais difícil do que o esperado, mas Alain não desiste, fazendo da tarefa seu único pensamento. O estado quase doentio que atinge o homem o afasta de sua esposa e afeta seu filho, Kid. O garoto acompanha o pai na missão, que mais tarde se tornará sua. A vida da família muda drasticamente e Kid se transforma em um homem muito diferente da criança que costumava ser enquanto se arrisca em diversos países em busca da irmã.

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O filme possui vários cortes e avanços no tempo, mostrando como o conflito se arrasta durante toda a vida dos personagens. O longa aborda um assunto delicado – principalmente para os franceses – que é o convívio entre diferentes culturas, mas consegue inovar ao trazer personagens que não estão presos a esteriótipos “pró” ou “contra” o islã. Eles são pessoas comuns, que antes de tudo, possuem problemas pessoais e buscam lidar com isso. Além de mesclar conflitos sociais com pessoais, o filme mostra o mundo atual como um lugar sem fronteiras: uma comunidade cowboy na França se relacionando culturalmente com a América e com países asiáticos. Carregado de significado e cenas fortes e emocionantes, Os Cowboys mexe com corações e mentes do público.

Em entrevista, após a exibição do filme, o ator Finnegan Oldfield – que interpreta Kid – falou sobre as dúvidas de se lançar o longa logo após os ataques terroristas à França em 2015. O tema da intolerância religiosa e conflitos culturais é forte entre os países europeus e islâmicos e o filme poderia reforçar polêmicas sobre o assunto ou não obter boa aceitação do público. Porém, foi decidido manter seu lançamento, pois a equipe acreditou que o longa poderia ser uma verdadeira retratação do cenário atual nesse aspecto e poderia incentivar um novo olhar à situação. Para Finnegan, seu personagem é um verdadeiro cowboy, um herói, porque é aberto para um mundo diferente do dele, diferentemente de seu pai, por exemplo; e o que o filme realmente traz é uma perspectiva de avanço na mentalidade de uma geração para a outra.

Assista ao trailer:

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