Paulistas: o reconhecimento pelo risco, a decepção pela história

A vida no campo é algo que foi, durante muitos anos, tema das mais diversas artes e linguagens possíveis. Desde antes da literatura árcade, o bucolismo é retratado o tempo todo. Paulistas (2018) é uma visão dessa região que fica ao sul de Goiás e que, de acordo com o próprio filme, não há jovens morando por lá desde 2014. É de se esperar que um filme como esse procure formas inusitadas para retratar essa realidade, já que é muito gritante a tendência para fazer algo batido nesse caso.

Paulistas

(Divulgação)

O filme documenta as regiões de Paulista e Soledade que são regiões do interior brasileiro em que a população é composta por pessoas mais velhas, sem crianças. A época é julho, período de férias no qual os filhos visitam suas famílias que continuam vivendo no campo.

Paulistas é um documentário bem fora da casinha, que tem suas próprias características e sua personalidade. Em nenhum momento se veem as clássicas cenas de documentário com um entrevistado em frente a câmera, já que o filme procura contar sua história de uma maneira mais poética e muito mais próxima aos outros gêneros. Sua narrativa se relaciona ao ritmo da região, dialogando sempre com o ritmo da pequena cidade.

A fotografia do longa é esteticamente agradável. O interior goiano presenteia a produção com cenas espetaculares de uma paisagem muito bonita. Os aspectos técnicos do filme superam a expectativa e entregam exatamente o que o trailer vende.

Entretanto, o ritmo do filme é muito lento por conta da história e da maneira como o filme a trata. Confesso agora ao leitor que talvez essa percepção seja influenciada por ter vivido todos os anos da minha vida em uma cidade grande, mas o filme é devagar. Em alguns momentos acelera, como com a cena das motos e durante o rodeio que toca Wesley Safadão, mas são alguns poucos em que isso ocorre.

Paulistas

(Divulgação)

No geral, Paulistas é um filme muito bonito e poético, que realmente arrisca e merece o reconhecimento por isso. Contudo, não conta tão bem a história que propõe e que é, por vezes, desinteressante.

O filme chega às salas de cinema no dia 22 de fevereiro, confira o trailer!

por Pedro Gabriel
peedrog98@usp.br

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