Procurando Dory: Mais um acerto emocionante da Pixar

por Mel Pinheiro
mel.pinheiro.silva@gmail.com

Uma das mais amadas animações da história, Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003) quebrou recordes em sua estreia e foi o primeiro filme da Pixar Animation Studios a ganhar o Oscar de Melhor Longa de Animação em 2004, abrindo o favoritismo do estúdio em premiações. Por conta desse legado, a expectativa para sua continuação era imensa. Com estreia marcada para 30 de junho, Procurando Dory (Finding Dory, 2016) não decepciona e se une a Toy Story 3 (Toy Story 3, 2010) como as melhores continuações produzidas pela Pixar.

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Personagens coadjuvantes que roubam a cena são comuns em animações, porém na maioria dos casos, colocá-los como protagonistas em sequências são erros que comprometem a qualidade dos filmes. Não é o que acontece aqui: Dory se torna uma protagonista interessantíssima, que carrega uma história emocionante. Sua perda da memória recente, motivo de grande parte do tom engraçado do primeiro filme, ganha uma carga dramática capaz de amolecer o mais duro dos corações. É também daí que começa a jornada de nossa heroína: quando ela se lembra de seus pais e sai em busca deles, juntando pequenos fragmentos de suas lembranças intercaladas com momentos de aventura.

Apesar de mudar a abordagem do problema de Dory, o longa não é sem graça, pelo contrário: as piadas são elaboradas com ótimas referências, em momentos em que a risada não atrapalha o andamento da história. Em seus últimos filmes, a Disney começou a “nacionalizar” algumas piadas em cada país que é exibido, e o que é feito em Procurando Dory a respeito da voz anfitriã de um instituto marinho é uma surpresa engraçadíssima, causando risos toda vez que aparece. Novos personagens inseridos na trama também são responsáveis pela comicidade: a ótima dupla de leões marinhos Fluke e Leme, a baleia Bailey e a tubarão baleia Destiny, origem do conhecido baleiês falado por Dory.

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Outro personagem novo é Hank, dublado com competência no Brasil por Antonio Tabet, do canal Porta dos Fundos. O polvo surge para se opor à protagonista: enquanto Dory se esforça para se lembrar, Hank quer esquecer do seu passado, cercado de traumas tanto do mar quanto de crianças. Uma pena que a história do polvo apareça apenas de maneira sutil, atrapalhando a empatia com o personagem e deixando uma vontade de querer saber mais sobre ele.

Esse talvez seja o único defeito do filme, que prima pelo roteiro que leva o espectador para uma trajetória repleta de aventuras e momentos emocionantes. A busca de Dory por sua origem aflora os sentimentos não só no que diz respeito ao auto conhecimento, mas também coloca os valores da amizade e da família lado a lado. A Pixar novamente alcança sua excelência e seu poder de mexer com as emoções do público e inserir seus personagens em seus corações.

Confira o trailer

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