41ª Mostra Internacional de SP: Satã Disse Dance

Este filme faz parte da 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para mais resenhas do festival, clique aqui.


Com uma proposta extremamente interessante,
Satã Disse Dance (Szatan Kazal Tanczyc, 2016) é criativo, ousado, diferente, mas extremamente vazio. O longa consiste em uma série de cenas – individuais e sem continuidade necessária – que retratam a vida de Karolina (Magdalena Berus), uma jovem escritora. O mais interessante a respeito desse falta de continuidade é o fato de que essas cenas podem ser assistidas em qualquer ordem que ainda assim continuarão contando a mesma história. O formato em que o filme é gravado também é muito curioso: os enquadramentos são bem pensados e o recorte foge do comum, é como se a cena fosse mostrada apenas pela metade; em uma conversa de bar, por exemplo, não se vê os dois personagens conversando, apenas um de cada vez. Assim, toda a montagem e filmagem instiga, mas o conteúdo decepciona.

Satã Disse Dance

Imagem: reprodução

Karolina tinha tudo para ser uma das personagens mais complexas do cinema. Se seu psicológico tivesse sido bem trabalhado, seria possível criar uma reflexão muito profunda e forte sobre juventude, dramas, “tempos de selfie” e relacionamentos modernos. Mas infelizmente a personagem não é bem construída, então ela se torna apenas uma jovem arrogante, fútil, obcecada por festas, drogas e sexo e que entedia o público.

Satã Disse Dance

Imagem: reprodução

Satã Disse Dance possui essa ideia tão boa de ser um “filme de instagram”, composto por cenas curtas, que podem ser assistidas em qualquer ordem –  é como se o filme fosse dezenas de “stories”. Mas peca muito em simplesmente não explorar o que se passa na mente da personagem principal. Isso é frustrante. O espectador quer saber mais sobre ela, entender seus medos, suas angústias e quando começou a viver de forma tão rasa. Conforme se assiste ao filme, quer-se entender melhor a relação de Karolina com o mundo, com sua família, saber quem são seus amigos – se tem amigos –  e por que, como a própria diz, ela não tem sonhos nem saudade. Mas o longa simplesmente ignora essa parte tão importante da vida da personagem, os problemas que ela claramente tem e que a deixam perdida e confusa, e foca apenas em suas relações sexuais. Arrisco dizer que mais de 75% do filme são cenas explícitas – e desnecessárias – de sexo, colocadas da maneira mais rasa e sem significado possível.

O filme até cumpre sua proposta de ter um formato diferenciado e criativo, mas a falta de conteúdo e profundidade o torna vazio, dispensável e decepcionante. 

por Mariangela Castro
mariangela.ctr@gmail.com

Comentários