Sete filmes para conhecer o novo cinema sueco

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O famoso diretor Woody Allen afirmou uma vez que um dos motivos que faz a vida valer a pena é o cinema sueco. A produção cinematográfica do país nórdico teve sua excelência reconhecida através de um dos diretores mais importantes da sétima arte: Ingmar Bergman. A herança deixada por Bergman ecoa na nova safra de realizadores da Suécia que, com longas criativos e inovadores, estão marcando seus nomes na cena independente.

Para conhecer essa nova safra do cinema sueco, o Cinéfilos selecionou sete filmes de estilos e narrativas diferentes, mas bastante interessantes e que fizeram sucesso de crítica e público em festivais espalhados pelo mundo.

Um homem chamado Ove (En man som heter Ove, 2015), de Hannes Holm
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de Melhor Maquiagem, o longa é inspirado em livro homônimo do escritor Fredrik Backman. Conta a história de um viúvo mal-humorado que ganha novos vizinhos e uma amizade inesperada que muda sua vida. O longa é um sucesso na Suécia e é o quinto filme mais visto no país. Cercado de flash backs, que remetem ao passado suicida do personagem, a história mostra que as aparências enganam, além do humor dramático que reflete sobre as mudanças da vida.

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Nós somos as melhores (Vi Är Bäst!, 2013), de Lukas Moodyson
Três garotas contra o mundo. Em poucas palavras podemos definir o longa, que relata com delicadeza e humor a adolescência de três garotas na Suécia de 1982. Bobo (Mira Barkhammar) e Klara (Mira Grosin) têm 13 anos e adoram punk rock mesmo quando todos falam que o gênero morreu. Elas sonham em ter uma banda, mas nenhuma das duas sabe tocar. Quando elas conhecem a certinha Hedvig (Liv LeMoyne), ótima guitarrista, as meninas tentam convencê-la a entrar para a banda. Diferente do trágico e angustiante Para Sempre Lilya (Lilja 4-ever, 2002), filme mais famoso de Moodyson, Nós somos as melhores é recheado de diálogos ágeis e divertidos, e com o som de clássicas bandas punk suecas fala das incertezas e a dificuldade de se encaixar no mundo durante a fase de transição entre a infância e a vida adulta.

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Deixa ela entrar (Låt den rätte komma in, 2008), de Tomas Alfredson
Esse é o filme mais famoso da lista – rendeu até um remake hollywoodiano em 2010 (que não chega nem perto da qualidade do original). A história de amizade e amor entre a vampira Eli (Lina Leandersson) e o garoto Oskar (Kåre Hedebrant) durante o rigoroso inverno sueco é bela e encantadora, seja pela química e boa atuação dos dois, pela bonita fotografia ou o roteiro inspirado no romance de mesmo nome. A mitologia dos vampiros é aqui bastante respeitada e ao mesmo tempo inova o tema, se tornando um dos melhores filmes sobre essas criaturas.

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Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade på tillvaron, 2014), de Roy Andersson
Exibido na 38ª Mostra de Cinema de São Paulo, em 2014, o longa do diretor Roy Andersson causa estranheza e reflexão já no título. Situações absurdas e cômicas acompanham uma dupla de vendedores em cenas que podem ser consideradas pequenas esquetes, com a câmera imóvel e os cenários que vão se repetindo ao longo do filme. Em meio a essas pequenas histórias, Andersson convida o expectador a pensar sobre a solidão e a perda em meio ao cotidiano moderno. A produção encerra a trilogia iniciada com Canções do Segundo Andar (Sånger från andra våningen, 2000) e seguida de Vocês, os Vivos (Du levande, 2007).

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Pura (Till det som är vackert, 2009), de Lisa Langseth
Katarina (Alicia Vikander) tem uma vida complicada: sem dinheiro, com um passado de agressões e com uma mãe alcoólatra, a única coisa que faz a garota de 20 anos feliz é sua paixão por música clássica. Em uma coincidência, ela consegue acidentalmente uma entrevista de emprego no concerto da cidade. A partir daí, Katarina ganha a esperança de mudar completamente de vida. A história da protagonista é fadada a tragédia, mostrando o quão cruel é a sociedade patriarcal. As dificuldades de ser mulher e o julgamento das pessoas com qualquer pessoa do sexo feminino é personificada em Katarina, uma moradora do subúrbio de Guthenborg, mas que poderia ser qualquer uma de nós.
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No Espaço Não Existem Sentimentos (I rymden finns inga känslor, 2010), de Andreas Öhman
Para quem gosta de comédias dramáticas fofinhas, esse filme é uma pedida imperdível. A síndrome de Asperger (síndrome que afeta a capacidade do indíviduo de socializar) é mostrada com simplicidade e leveza através do personagem principal, chamado Simon (Bill Skarsgård). Tudo para ele deve ser exatamente calculado e qualquer coisa fora da rotina torna sua vida um caos. Além disso, o garoto não gosta de ser tocado e só consegue se relacionar bem com o irmão, Sam (Martin Wallström). A direção de arte do longa chama atenção por sua paleta de cores baseada no vermelho e azul, cores favoritas de Simon. A trilha sonora também é bem pop e divertida, combinando com um filme bastante despretensioso e agradável.

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O homem de 100 anos que pulou a janela e desapareceu (Hundraåringen som klev ut genom fönstret och försvann, 2013), de Felix Herngren
Inspirado no best-seller de mesmo nome, o filme esteve presente na programação da 39ª Mostra de Cinema de São Paulo, em 2015. Um homem de 100 anos de idade chamado Allan Karlsson pula da janela da casa de repouso no dia de seu aniversário, e embarca em uma inesperada jornada que envolve vários assassinatos e uma maleta cheia de dinheiro. Uma comédia sutil repleta de momentos surreais e uma trilha sonora ótima embalam essa nova aventura de um homem que pensava já ter passado por tudo.
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Por Mel Pinheiro

mel.pinheiro.silva@gmail.com

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