Com um terror baseado demais em jump scares, Sobrenatural: A Última Chave mostra os claros sinais do cansaço de sua franquia

Iniciada em 2010, a franquia de terror Sobrenatural (Insidious, 2010-) chega em 2018 com sua quarta produção, Sobrenatural: A Última Chave (Insidious: The Last Key, 2018). Nela, a parapsicóloga Elise Rainier (Lyn Shaye) retorna para a casa onde morou durante a sua infância para combater uma terrível entidade que ela mesma libertou e ajudar o atual morador (Kirk Acevedo), reencontrando por lá alguns rostos conhecidos de sua infância e que ainda a assombram em suas memórias.

Uma prequel da aventura original, a nova aventura se passa logo antes da trama do primeiro filme. Elementos tradicionais da franquia, como a conexão das entidades demoníacas com o Além (local misterioso para onde os espíritos dos mortos vão), são novamente trazidos para retomar o ar da franquia e conectar o novo filme aos outros anteriores. Contudo, a nova trama peca pela falta da construção do suspense presentes nos primeiros filmes, partindo logo de início para um terror baseado em aparições repentinas e jump scares mais constantes do que o necessário, e os momentos assustadores são tão baseados em clichês dos filmes do gênero que se tornam previsíveis demais para assustar. O trabalho do diretor, Adam Robitel, e dos criadores da franquia, Leigh Whannel e James Wan, tenta disfarçar essa previsibilidade ao deixar o espectador incerto de por onde o susto irá vir, desviando a atenção do mesmo com detalhes na cena, mas sem conseguirem realmente tornar o momento mais assustador.

Sobrenatural

A personagem principal, Elise Rainier. Divulgação/Universal Pictures.

Em seus outros aspectos, o filme se mantém na média do restante da franquia. A atuação de Lyn Shaye, protagonista da saga, é o melhor fator dentro do filme e dá um novo vigor à personagem de Rainier, mostrando um novo lado emocional que é mais explorado através de sua conexão com o ambiente, exibida em flashbacks de sua vida como criança, no momento da descoberta de seu dom. Os ajudantes da personagem, Specs e Tucker (interpretados, respectivamente, por Leigh Whannel e Angus Sampson), continuam a ser personagens de alívio cômico dentro do terror e apresentam algumas cenas divertidas que contrastam com momentos de humor desnecessários. De resto, os novos personagens não chamam muito a atenção na trama. Mesmo a revelação da família ainda existente de Elise, personificada pelo seu irmão Christian (Bruce Davison) e as filhas desse, acrescenta pouco no quesito emocional e serve apenas para dar um impulso à trama do filme, enquanto o personagem de Acevedo, Ted Garza, o morador do local, não possui praticamente nenhum apelo para com os espectadores.

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Elise e seu irmão Christian com a filha dele, Melissa (Spencer Locke). Divulgação/Universal Pictures.

Sobrenatural: A Última Chave traz um novo capítulo a uma franquia de terror e falha justamente por não trazer nenhuma novidade à mesma, valendo-se das mesmas ideias que construíram a saga e tornando-as cansativas ao público que acompanha esse tipo de filme. Como na maioria das franquias, o filme é vítima da exaustão de sua ideia original, que apesar de ter criado um bom primeiro filme, não é o suficiente para segurar suas constantes e inúmeras continuações.

O filme estreia dia 18 de janeiro. Assista ao trailer:

por Luís Henrique Franco
luligot17@gmail.com

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