Você sabe o que é Storyboard?

por Ian Alves
ian.andrade.alves@gmail.com

“Três porcos antropomórficos que constroem três casas com materiais diferentes”, assim são descritos os protagonistas do filme Os Três Porquinhos (Three Little Pigs, 1933). Além de ser inspirado em uma fábula secular presente na infância de milhares de pessoas, Os Três Porquinhos inaugura uma técnica que tem ganhado cada vez mais importância nas produções cinematográficas contemporâneas: o Storyboard.

Foi num curta metragem de 1933 que Walt Disney utilizou pela primeira vez o Storyboard no formato que é conhecido hoje – uma sequência de desenhos ou imagens que representam as cenas de um filme, possibilitando sua pré-visualização. Além de auxiliar na concepção artística do filme e na organização das as ideias de um diretor ou produtor, o storyboard proporciona uma noção do orçamento da produção. Isso ocorre porque, no stb., podem ser inclusos todos os elementos que estarão presenta numa determinada cena, como figurino, objetos cenográficos e efeitos especiais. Ele é quase uma história em quadrinhos do filme, funcionando como um script visual com setas que indicam movimento e ganchos verbais que narram os acontecimentos.

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Nos primeiros anos, o storyboard era feito apenas para desenhos animados. Foi só em 1939, com E o Vento Levou (Gone With The Wind, 1939), que a técnica se estendeu para filmes live action. Alfred Hitchcock, um dos mais clássicos diretores do cinema, era adepto contumaz da técnica: seus desenhos dos enquadramentos eram minuciosos e continham cada pequeno detalhe das cenas. O Mestre do Suspense, apesar de ter produzido storyboards de filmes mudos antes de ser diretor, contratava ilustradores profissionais para desenhar seus stbs., e os resultados eram fascinantes.

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Storyboard do filme Pássaros (Birds, 1963), dirigido por Alfred Hitchcock e baseado em um conto de Daphne Du Maurier

De modo geral, a concepção de um filme ocorre na seguinte sequência: primeiro é feito o roteiro escrito e, partir dele, monta-se o storyboard. Foge a essa regra, porém, o longa Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015) . O ilustrador e quadrinista Brandon McCarthy sempre foi um fã da série e, há mais de uma década, veio produzindo milhares (milhares!) de ilustrações de como imaginava o próximo filme da franquia Mad Max, lançada em 1979. O resultado foi um storyboard excepcionalmente extenso, apelidado de “scriptboard” – como se o roteiro visual funcionasse como o próprio script do filme (McCarthy, inclusive, assina como um dos roteiristas). O longa, ganhador de seis Oscar técnicos, tem a estética como um de seus pilares mais importantes – senão o mais importante –, e não há dúvidas de que seu storyboard influenciou diretamente na qualidade plástica do filme.

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A página Oh My Disney produziu um vídeo com o resultado do storyboard de uma das cenas de Hércules (Hercules, 1997). O resultado é interessantíssimo! Confira:

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