Festival Varilux 2017 – Tal Mãe, Tal Filha

Este filme faz parte do 8º Festival Varilux de Cinema Francês. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Se você entrou nesta resenha procurando um filme cult francês, se enganou. Tal Mãe, Tal Filha (Telle Mère, Telle Fille, 2017) tem a fórmula de um clássico Sessão da Tarde, no melhor sentido da expressão, com tudo a que tem direito, inclusive algumas inovações.

A história gira em torno da relação de Mado (Juliette Binoche) e Avil (Camille Cottin). Mado, a mãe, tem 50 anos, está desempregada e mora com a filha Avril e seu namorado Michaël. Quando Avril anuncia sua gravidez para toda a família, Mado, que tem uma eterna alma infantil (e pode estar passando por uma crise de meia idade), surta. O resultado disso é que ela também engravida, sendo o pai de seu filho seu ex-marido Marc (Lambert Wilson).

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Imagem: reprodução

Com piadas apropriadas e um humor inesperado, o longa nos conduz pela gestação das duas personagens, que, no início, mostram-se completamente opostas: Mado, a eterna jovem inconsequente, e Avril, a adulta responsável. Isso leva a um dos aspectos mais interessantes do filme, o qual o difere de outras comédias românticas: a esfericidade dessas duas personagens. Com o decorrer da história, vemos a evolução de ambas com o decorrer das gestações.

Para explicar melhor essa mudança, fizemos um gráfico :

Tal Mãe, Tal Filha gráfico

Crédito: Maria Carolina Soares

A atuação também é um ponto alto do filme, com destaque a Juliette Binoche, famosa por O Paciente Inglês (The English Patient, 1996) e Lambert Wilson, que trazem não só o alívio cômico, mas também o romance na medida certa. O que nos leva a outro pró em Tal Mãe, Tal Filha: o uso não excessivo do romance, algo muito presente em filmes hollywoodianos do gênero. Outro grande alívio, que advém do fato de o longa ser francês, é a história não se passar na cidade de Nova York, pois isso ocorre na maioria dos filmes americanos.

Tal Mãe, Tal Filha 02

Imagem: reprodução

Em relação à produção, o filme também acerta. A trilha sonora, que mistura músicas em inglês e francês, dá o tom perfeito para cada cena e as marcações de tempo se mostram eficazes e nos momentos certos. Além disso, os diálogos são bem colocados e trazem o humor característico sem forçar a barra com piadas óbvias.

Tal Mãe, Tal Filha é um quebrador de paradigmas: não traz toda a sofisticação que o senso comum espera de um filme francês, mas não cai em banalidades de outras comédias românticas. Claro que o final não é um grande mistério, porém o entretenimento dirigido por Noémie Saglio diverte.

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Imagem: reprodução

Tal Mãe, Tal Filha faz parte do Festival Varilux de Cinema Francês e estará disponível em 55 cidades brasileiras até dia 21 de junho. Confira o trailer:

por Maria Carolina Soares
mcarolinasoares@uol.com.br

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