Talvez Uma História de Amor: o equilíbrio entre clichê e inovação

Ambientado em São Paulo e Nova York, o longa-metragem Talvez uma História de Amor (2018) mistura comédia e romance. Ele é estrelado por Mateus Solano, Thaila Ayala, Marco Luque e Paulo Vilhena, e dirigido por Rodrigo Bernardo, mesmo diretor da série (Des)Encontros (2014- atual). A narrativa começa do fim, com o personagem principal, Virgílio, correndo em um aeroporto em busca de sua amada. A partir de então, o filme promove uma volta ao tempo e o passado é revelado.

Virgílio é um publicitário metódico que segue rigidamente sua agenda. Todos os dias, sua rotina é a mesma. Porém, sua vida muda quando ele recebe, por meio da secretária eletrônica, uma mensagem terminando seu relacionamento. A mulher em questão se chama Clara. Clara diz que o ama mas não pode continuar com ele. O problema é que o protagonista não sabe quem é essa mulher.

(Imagem: Divulgação/Gigi Kassis)

A partir daí, sua vida fica fora de controle: o arrumadíssimo apartamento vira uma bagunça, a concentração que Virgílio tinha nas reuniões da empresa já não é a mesma e até o jogo de carta que costumava jogar com sua vizinha é esquecido. A rotina robotizada e perfeita deixa de existir, porque a única coisa que passa a importar é encontrar Clara, possivelmente, o grande amor de sua vida. A história se desenvolve desse conflito, na busca de um homem, agora desestabilizado, por alguém que sente (mas não lembra) ter amado.

Baseado no livro francês de mesmo título, o filme apresenta uma trilha sonora bem diversificada, com músicas de Frank Sinatra, Charlie Brown Jr. e Ed Sheeran. Outro ponto legal do longa, é a participação de Cynthia Nixon, atriz norte americana famosa por sua personagem Miranda, de Sex and the City (1999-2004). Em Talvez Uma História de Amor a atendente do Museu Solomon R. Guggenheim, interpretada por Cynthia, ajuda Virgílio quando ele está em Nova York.

(Imagem: Divulgação)

Um dos aspectos que mais chama atenção é o detalhismo e exatidão da fotografia. Ajudando a construir a personalidade de Virgílio, um perfeccionista quase obsessivo, muitas das cenas acontecem no meio exato da tela. Além disso, elas contam com recursos visuais, como o equilíbrio de cor, forma e trajetória, que contribuem com tal intenção de significado. Dessa forma, a filmagem e o personagem representado se relacionam de forma harmônica.

Uma crítica negativa que pode ser feita à obra se relaciona ao desenvolvimento de certos aspectos da narrativa. Uma das questões mais enigmáticas se refere ao real motivo da perda de memória já que, mesmo que uma possível explicação seja apresentada, não se conclui se a mesma está correta ou não. Além disso, para um projeto que parece se apoiar na realidade, pode-se dizer que a escolha do grande gesto romântico, feito pelo protagonista em Nova York, foi pouco cuidadosa. Típica do romance, essa cena é emocionante e, certamente, o clímax da história. Porém, totalmente irrealista.

Elenco na pré-estreia do filme. (Foto: Reprodução/Leo Franco/AgNews)

Entretanto, mesmo com algumas falhas, o filme deve ser elogiado por sua capacidade de unir inovação com clichês típicos do gênero, além de instigar o espectador a torcer pelo sucesso de Virgílio na busca pela mulher amada. Com estreia prevista para 14 de junho, Talvez uma História de Amor promete ser uma divertida e emocionante jornada romântica.

 

Confira o trailer abaixo:

Por Crisley Santana (crisley.ss@usp.br)
Laura Scofield (lauradscofield@usp.br)

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