Tempestade: Planeta em Fúria, coração em êxtase

Você já imaginou o que acontecerá com o planeta daqui alguns anos? Muito provavelmente sim. Pautado nessa frequente dúvida, Tempestade: Planeta em fúria (Geostorm, 2017) nos mostra sua resposta abordando questões políticas, briga de poder, problemas familiares e, principalmente, questões climáticas. É uma trama repleta de ação que empolga com suas descargas de adrenalina e acerta ao equilibrar bem as tensões do enredo com os momentos sentimentais.

Tempestade

Imagem: divulgação

Tempestade: Planeta em Fúria se passa em um futuro próximo, no qual, após um período de desastres naturais devastadores, o clima terrestre é controlado por uma rede de satélites artificiais. No entanto, após anos de sucesso, esse sistema começa a apresentar falhas e promover eventos climáticos catastróficos em diversos cantos do mundo. Assim, entra em cena Jake Lawson (Gerard Butler), o coordenador responsável pelo “Dutch Boy”, apelido dado à rede de satélites. Jake é convocado por seu irmão, Max (Jim Sturgess), para ir até a estação espacial e solucionar as falhas do sistema. Sem pensar duas vezes, ele aceita o convite, deixando sua filha, Hannah (Talitha Bateman), apreensiva pela possibilidade do pai não retornar à Terra, uma vez que ele irá se juntar a um grupo de pessoas que vive na estação espacial, controlando o Dutch Boy.

Paralelamente, o espectador acompanha o relacionamento proibido entre Max, que trabalha para o Departamento de Estado americano, e Sarah (Abbie Cornish), uma agente do Serviço Secreto. O casal, que não poderia estar junto por uma proibição do Serviço Secreto, tem papel importante na tentativa de salvar o planeta de uma geotempestade que surgirá se as falhas de Dutch Boy não forem corrigidas. Nesse quesito, Sarah se destaca muito, revelando uma personagem destemida e independente, sem forçar um feminismo que, muitas vezes, é inserido nos filmes só para agradar o público. A atuação de Abbie Cornish ganha muitos pontos por isso, excluindo a sensação presente em muitas outras produções de que a mulher só está no filme para ser par romântico de alguém.

Além disso, a trama também envolve personagens políticos, já que Max trabalha para o secretário Leonard Dekkom (Ed Harris), que, por sua vez, responde ao presidente dos Estados Unidos, Andrew Palma (Andy Garcia). Assim, as ações relacionadas ao Dutch Boy precisam ser autorizadas pelo governo americano e envolvem toda uma estratégia política, explorada de maneira interessante pelo filme.

Ao abordar um relacionamento frágil entre irmãos, Tempestade: Planeta em Fúria se destaca por um sentimentalismo nas proporções certas e faz com que o espectador se envolva com os Lawson. Uma vez que, de início, a relação entre Jake e Max é muito distante, o longa deixa quem assiste torcendo ansioso pela aproximação familiar. Todavia, uma grande lacuna é deixada na construção da personagem Hannah, filha do protagonista. Isso ocorre em razão da falta de aprofundamento no relacionamento entre pai e filha, que é abordado no início de maneira muito superficial e retomado ao final, como se quisesse atribuir emoção a uma união com a qual o público não teve contato.

As atuações do longa não desapontam, mesmo que em geral sejam apenas normais. Porém, algumas se destacam. Além de Abbie Cornish, outra atriz que chama a atenção pela atuação é Talitha Bateman,  filha de Jake. No entanto, como já abordado, infelizmente, sua atuação é muito pouco explorada. Em apenas 4 cenas, no máximo, ela entra em evidência, mostrando-se uma excelente atriz, apesar da pouca idade. Na cena em que se despede do pai, Bateman exprime uma jovem madura e confiante que, ainda assim, sofre com sua ausência e tem suas preocupações sensatas. Mas pouco sabemos sobre a garota, e sua personagem acaba se tornando rasa por conta do enredo que a envolve.

Tratando-se de uma produção de ficção científica, um dos aspectos mais importantes são os efeitos especiais. E não há o que reclamar em Tempestade. Como já é comum em qualquer outro filme de guerra no espaço, há o bom uso de explosões em cenas bem estruturadas. Mas, além disso, o longa abusa desses efeitos também na Terra, com a representação das consequências dos desastres naturais: pessoas congelando, ruas se partindo ao meio dando espaço ao magma, inundações colossais destruindo prédios imensos e invadindo desertos. Certamente, essas cenas de destruição cheias de efeitos são um dos triunfos do filme.

Um outro recurso interessante e muito útil para inserir o espectador no contexto proposto é a “representatividade” do longa, que exibe cenas de diversos lugares no mundo, para além dos Estados Unidos. Rússia, Emirados Árabes Unidos, Afeganistão, Índia e Brasil são alguns dos países que sofrem com o efeito do Dutch Boy. Momentos como esses, em que as cidades passam por fortes catástrofes naturais, transportam as pessoas àquela realidade, fazendo-o se identificar e sentir-se comovido com a situação.

Tempestade

Em Tempestade, Dubai é uma das diversas cidades que sofrem colossais desastres naturais. Imagem: Divulgação

Entre as coisas que mais satisfazem em Tempestade: Planeta em fúria está o tom empolgante de toda sua narrativa. Somos envolvidos por seu roteiro diversas vezes, como na cena em que resolvem problemas com o satélite pela primeira vez, após problemas no Afeganistão. O trecho em questão gera um deslumbre com a tecnologia futurista e os mecanismos robóticos que tornam tudo possível na estação espacial. A agonia também é um sentimento frequente. São vários os momentos em que as cenas nos causam uma louca hipnose, na qual apenas aguardamos para saber o que vem pela frente.

Hoje e sempre, uma das maiores dúvidas do ser humano é saber como o futuro será. Prova disso são os inúmeros filmes que se propõem a imaginar como o mundo será anos a frente, como no clássico do cinema De volta para o futuro (Back to The Future, 1985). Entretanto, Tempestade traz um futuro muito próximo, tanto no espaço do tempo, quanto na realidade em que vivemos. Os avanços tecnológicos do filme tornaram as viagens ao espaço muito mais rápidas e frequentes. Todas as tecnologias da estação espacial fascinam com seus aspectos hi-tech em diversos dispositivos e gadgets. Contudo, o filme foge ao fantasioso. Tudo o que é exposto é verossímil, ou seja, é possível que o futuro realmente seja assim.

Apesar de se inserir no mundo da ficção científica, o longa aborda temáticas com as quais é muito fácil se identificar: a possibilidade de extinção do planeta Terra e a interferência humana no curso da natureza. Desse modo, apesar da existência de fenômenos e desastres naturais colossais, o filme gera um questionamento importante: até que ponto a humanidade vai se intrometer nos acontecimentos naturais em prol de sua sobrevivência?

Tempestade: Planeta em Fúria estreia no dia 19 de outubro. Confira o trailer abaixo:

por Gabriel Bastos e Gabriela Bonin
gabriel.bastos@usp.br | gabibonin@usp.br

 

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