Tokyo Ghoul: Destaque do cinema japonês como filme de ação e fantasia

Ação e suspense no longa japonês dirigido por Kentaro Hagiwara, Tokyo Ghoul (2017) está sendo considerado uma das melhores adaptações de anime e mangá. Depois de ler e assistir essas duas obras, os fãs acabam criando expectativas as quais o filme muitas vezes não consegue superar. Isso porque, o desenho, tanto no papel quanto animado, permite o uso de efeitos de uma forma mais livre e fácil do que os filmes realistas. No entanto, a produção da Sato Company se diferencia ao trazer ótimos atores e belos efeitos especiais que ajudam a provocar uma sensação maior de realidade.

O filme participa do festival de ação japonês que está acontecendo no Brasil. Ele conta a história de Ken Kaneki (Masataka Kubota), um universitário comum e tímido que vê sua vida mudar depois do que deveria ser um encontro amoroso. Ao sair com Kamishiro Rize (Yu Aoi), uma Ghoul que, por definição, só se alimenta de carne humana, Kaneki é atacado, mas em um acidente quem acaba morrendo é a moça. Mesmo tendo sobrevivido, o estudante ficou gravemente machucado e, tendo alguns órgãos de Rize à disposição, os médicos optam por fazer um transplante em Ken.

Se recuperando no hospital, ele descobre o que foi feito e passa a temer as consequências disso. Com o tempo ele percebe que, embora sinta muita fome, não consegue comer como antigamente. O último sintoma apresentado por Kaneki é quando seu olho esquerdo se torna preto e vermelho, característica dos Ghouls.

Esse é um momento muito importante do filme e Masataka se destaca ao interpretar muito bem o conflito de um jovem que era humano e agora precisa se alimentar deles para sobreviver. É então que, perdido em meio a essas mudanças, acaba esbarrando com Kirishima Toka (Fumika Shimizu), uma Ghoul que a princípio o despreza, mas depois ela e sua família acabam ajudando Kaneki.

Tokyo Ghoul

[Foto: Shochiku]

A partir daí, o enredo faz com que o espectador se simpatize com esses carniçais que parecem tentar conviver harmoniosamente com os humanos enquanto são perseguidos pela polícia que quer exterminá-los.

De início, a obra parece ser mais uma daquelas que se baseia nos filmes de ação hollywoodianos, com longas cenas de luta e muito sangue. No entanto, alguns clichês são deixados de lado, como o da mocinha que sempre espera a salvação do mocinho. Para isso, são utilizadas personagens femininas igualmente fortes e, ainda assim, plurais, sendo cada uma retratada de forma diferente.

É importante ainda ressaltar os trabalhos de fotografia e som do filme. O primeiro constrói ambientes escuros por meio de luzes indiretas, o que ajuda a passar o clima de suspense e tensão propostos pela obra. O segundo se destaca na medida em que é muito preciso nas cenas de luta, onde se misturam os sons dos golpes e das respirações das personagens. Além disso, também é extremamente delicado quando vemos ações mais simples, como o barulho de água corrente ao coar o café, de pés andando com cautela e das bocas mastigando, som extremamente importante já que o filme coloca essa questão da alimentação em vários momentos.

O trabalho de câmera também fica interessante ao trazer vários planos detalhe, focando principalmente nos olhos e na boca dos personagens. Isso faz com que o espectador se sinta mais dentro da obra, como se tivesse partido dele a iniciativa de observar mais de perto. Essa técnica também ajuda a chamar a atenção para essas pequenas partes retratados de forma inocente inicialmente e suas modificações de acordo com a transformação das personagens.

Tokyo Ghoul entra em cartaz no dia 15 de setembro, uma ótima dica não só para os fãs da história, mas também para aqueles que gostam de filmes com bastante ação. Confira o trailer:

por Maria Laura López
laura_lopez.8@usp.br

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