Um filme que exalta o vigor da juventude: Tudo Por Um Pop Star

Ser fã é uma experiência muito comum na adolescência e se você não viveu isso, provavelmente conhece alguém que sim. Thalita Rebouças parece entender bem essa fase intensa – em que, segundo ela, o ser humano ama amar -, já que faz muito sucesso como escritora infantojuvenil. Agora, ela se arrisca como roteirista de filmes em sua segunda adaptação de seus livros às telonas com Tudo Por Um Pop Star (2018), dirigido por Bruno Garotti.

(Imagem: Divulgação)

O longa brasileiro conta a saga vivida pelas amigas Manu (Klara Castanho), Gabi (Maisa Silva) e Ritinha (Mel Maia) em busca de um mínimo contato com seus ídolos, os membros da boyband Slavabody Disco Disco Boys, quando eles anunciam um show no Rio de Janeiro. Durante toda a história elas sofrem com vários empecilhos que vão desde o convencimento dos pais para uma viagem à Cidade Maravilhosa, a aquisição de ingressos até brigas de comida no banheiro. A questão é que a amizade delas é tão forte quanto a perseverança e até o último segundo a desistência não chega, é revigorante de se ver.

Sem dúvida, um dos fatores que colaboram por essa sensação ao se assistir o filme é a conexão que os atores têm, principalmente o quarteto formado pelas três amigas junto com a prima mais velha de Manu, Babete, que fica responsável por elas durante quase todo o passeio. Facilmente, pode-se notar uma verdadeira entrega ao projeto, inclusive, essa informação foi reforçada em uma coletiva de imprensa realizada no dia 1 de outubro, onde as atrizes demonstraram toda a admiração que têm pelo trabalho da Thalita antes mesmo de serem escaladas para os papéis. Além disso, é claro que muito da força do elenco vem da simpatia que os atores mirins já têm pelo público-alvo do filme graças a trabalhos anteriores. Foi uma escolha inteligente.

É importante dizer que o roteiro usa bastante situações improváveis e nonsense tanto para produzir o efeito cômico quanto para a simples construção da história. Os membros da Slavabody não são nem um pouco desenvolvidos, sendo um perfeito estereótipo de boyband. No entanto, isso tudo não chega a, de fato, comprometer a obra quando se considera que as coisas foram planejadas, se adequando a proposta inicial do filme de entreter o público teen e provocar o riso pelo pastelão.

Um ponto positivo é que apesar dos acontecimentos inverossímeis, o toque de realidade é conquistado por meio de clipes bem produzidos para a banda fictícia. Aliás, isso poderia ter atingido um nível ainda maior se os garotos tivessem mais músicas originais. Enfim, os cenários das gravações também colaboram para a verossimilhança já que, por exemplo, cenas de show da boyband foram gravadas em uma apresentação real do Wesley Safadão e as de hotel em um local onde os artistas internacionais costumam se hospedar em passagens pelo Brasil.

Vale notar que apesar de todo esse clima descontraído e jovem presente no longa, se forem analisados os pequenos detalhes ainda pode-se perceber a construção sutil de uma crítica à imprensa que se aproveita de ídolos teens para conquistarem mais audiência. E uma vantagem é que, pelo fato de o tema ter sido tratado de forma tão leve quanto o resto da narrativa, ele não destoa do resto.

É como o diretor disse na coletiva: “todos podem se identificar com a produção por terem sido fãs ou por terem perdido o controle dos seus sentimentos, das suas paixões”. Assim, o filme é agradável e sempre atual. É fácil se divertir e sair do cinema cheio de amor pela juventude. Aqui, também fica a dica de se preparar para ficar com a contagiante música tema na cabeça por pelo menos alguns dias.

A estréia será no dia 11 de outubro. Confira no trailer abaixo um pouco do que Tudo Por Um Pop Star tem a oferecer:

por Mayumi Yamasaki
mayumiyamasaki@usp.br

 

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