Com enredo fraco, animação Uma família feliz erra por subestimar público infantil

De modo geral, animações costumam ser vistas com olhos tortos pelo grande público, colocadas numa categoria de filmes não muito levados a sério. “Filme infantil”, para quem pensa dessa maneira, é sinônimo de filme bobo, sem nada de interessante para ninguém acima de certa idade. Alguns longas, como o brasileiro O Menino e o Mundo (2013), por exemplo, rebatem essa visão, com histórias boas e força o suficiente para agradar tanto aos mais novos quanto aos mais velhos. Outros, como infelizmente é o caso de Uma Família Feliz (2017), apenas a reforçam.

Uma família feliz

Dirigido pelo alemão Holger Tappe, o filme é sobre a história de Emma Wishbone (na versão brasileira, dublada por Juliana Paes), uma mulher um tanto desastrada, mãe de dois filhos e com um marido pateta, que vive descontente com a relação familiar. Um dia, por engano, ela conhece o vampiro Drácula, que cria uma paixão obsessiva por ela e passa a persegui-la. Seu plano para conseguir capturar Emma é enviar a bruxa malvada Baba Yaga para transformá-la em vampira. Entretanto, a bruxa acaba por transformar toda a família de Emma em monstros, e eles precisam encontrá-la novamente para reverter o feitiço.

Num primeiro momento, a trama até parece interessante, e os personagens, simpáticos. Isto, entretanto, não dura mais do que quinze ou vinte minutos, e logo o roteiro se mostra inconsistente e, ao que parece, sem qualquer ambição de ser algo além de descartável. Por um motivo um bocado esdrúxulo, a bruxa Baba Yaga foge para Londres, e é para lá que os Whishbones devem seguir para encontrá-la – não fica explícito em que lugar o filme se passa, mas é com certeza longe da Inglaterra, já que os personagens pegam um avião para ir até lá, com cara de monstros e tudo. Acontece que a bruxa não sabe usar sua magia direito, e por isso não consegue chegar de uma vez ao seu destino, tornando a perseguição ainda mais complicada.

Uma família feliz

Daí para a frente, o filme cai num erro comum entre obras voltadas para o público infantil: subestimar a capacidade de pensar das crianças. Apoiando-se em situações absurdas mesmo para a mundo de fantasia que tem como plano de fundo, o enredo abusa de “licenças poéticas” até tornar-se ridículo. Boa parte das piadas simplesmente não funciona, e, não bastando isso, são repetidas à exaustão.

Ainda que relativamente bem realizado no que diz respeito ao aspecto visual, repleto de brincadeiras com a câmera e com direito a cenas de objetos voando em direção à plateia (justificando o lançamento em 3D), Uma família feliz não consegue ser mais do que um filme dispensável e que será esquecido pouco após os espectadores deixarem a sala de cinema. Sem dúvida alguma, as crianças merecem algo melhor.

Uma Família Feliz chegou aos cinemas no dia 17 de agosto. Assista ao trailer:

por Matheus Souza
souzamatheusmss@gmail.com 

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