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Verão em Rildas — monotonia adolescente
CINÉFILOS
03 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

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Verão em Rildas (2018) é um filme que aspira a documentário. O longa reencena a decisão de um grupo de amigos da UFF (Universidade Federal Fluminense) de produzir um festival de arte durante o verão na cidade de Rio das Ostras. Os universitários tentam conciliar o trabalho de fazer o festival com os seus dramas pessoais, até que algumas imagens do evento reproduzidas fora de contexto acabam gerando uma repercussão que foge do controle da turma.

O filme parece ser daqueles “feitos em casa” e é perceptível que os materiais usados não eram de ponta. A simplicidade — e os tremidos — do audiovisual não é o ponto que incomoda, porém. Os atores não levam muito jeito na frente das câmeras, e a maior parte das cenas conta com diálogos e interações que parecem forçados e nada naturais, algo perceptível logo na primeira cena.

Em um primeiro momento, o diretor intercala cenas dos personagens principais com as de um outro cotidiano (um pizzaiolo trabalhando em casa), pouco relacionado à história, porém com um ar interessante. Esta expectativa é logo cortada, já que os fragmentos de outras pessoas param de aparecer e o pizzaiolo é esquecido sem parecer ter desempenhado nenhum propósito.

A história se arrasta durante os planejamentos e a preparação do festival sem que nada de importante pareça acontecer. O problema da trama aparece só quando o filme já está acabando. Por conta da divulgação de algumas imagens de uma performance que ocorreu já no fim do evento, a faculdade ficou conhecida por “realizar rituais satânicos”.

Após o conflito ser apresentado, o espectador segue esperando que algo mais aconteça ou que uma solução seja apresentada, o que não ocorre. Mesmo entendendo a motivação de se fazer um filme sobre os acontecimentos que ocorreram na UFF da vida real em 2014 e que renderam à faculdade fama de satanista, na prática o longa parece não ter uma história a ser contada ou um desenrolar de acontecimentos concreto.

O filme não entrega uma boa história, mas consegue deixar um gosto de adolescência. Os jovens passam as tardes na praia, se reúnem para trabalhar e também para fumar maconha, se divertem e se esforçam para realizar aquilo que eles idealizaram. É um bom retrato da juventude universitária, mesmo que não possua uma grande história para contar.

Verão em Rildas estreia nos cinemas em 4 de outubro. Confira o trailer:

por Fernanda Pinotti
fsilvapinotti@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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