Viola Davis: uma lição de representatividade

“A única coisa que separa mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade.” Tal frase é do discurso de Viola Davis ao vencer o Emmy de melhor atriz de série dramática em 2015, a primeira mulher negra a ganhar o prêmio. Considerada uma das atrizes mais marcantes da atualidade, ela é também a primeira mulher negra a completar a chamada Tríplice Coroa de Atuação, ou seja, ganhar as três maiores premiações do cinema, TV e teatro, respectivamente: o Oscar, o Emmy e o Tony.

Viola Davis

(Reprodução)

Linha do tempo

O dia é 11 de agosto de 1965. Nasce, em uma fazenda no interior da Carolina do Sul, Viola Davis, que, aos dois meses, se mudaria com a família para Rhode Island, o menor estado em área do país. Ao lado de cinco irmãos, Viola teria que enfrentar uma infância pobre, com momentos felizes, porém cheia de dificuldades. Sua mãe, empregada doméstica, e seu pai, domador de cavalos, estariam ao seu lado nos primeiros passos rumo ao mundo do entretenimento.

A decisão de se tornar atriz foi tomada durante sua infância e, aos 23 anos, Viola se formou em artes dramáticas na Rhode Island College. Posteriormente, frequentou a renomada Julliard School, onde aprimorou sua atuação. Dali em diante, ingressou no mundo do teatro e se consolidou como atriz desse ramo, sendo indicada pela primeira vez ao Tony Awards em 1996.

A estreia nos cinemas veio com The Substance of Fire (The Substance of Fire, 1996), um drama independente que contava com Sarah Jessica Parker no elenco. No entanto, foi a partir de 2002 que sua carreira nas telonas ganhou mais visibilidade. Ao lado de George Clooney, Viola participou de Solaris (Solaris, 2002), um longa de ficção científica no qual a atriz teve papel coadjuvante. No mesmo ano, também foi lançado Longe do Paraíso (Far from Heaven, 2002), drama no qual atuou com Julianne Moore.

A explosão veio com Dúvida (Doubt, 2008), filme que rendeu três prêmios e a primeira indicação ao Oscar da atriz, mesmo ela aparecendo por menos de 10 minutos. Viola interpretou a Sra. Miller, uma personagem que entra em cena após metade do filme, mas marca presença ao contracenar com Meryl Streep. No Golden Globe Awards 2017, ao discursar sobre Meryl, Viola mostrou seu carinho pela colega, dizendo que ela “a fazia ter orgulho de ser uma artista”.

Paralelamente, a atriz nunca abandonou os palcos. Seu segundo Tony veio em 2010, como resultado de sua atuação na peça Fences, da Broadway. No ano seguinte, mais uma vitória: Viola se tornou mãe, adotando Genesis, sua primeira filha com o ator e produtor Julius Tennon.

2011 também foi o ano de estreia de Histórias Cruzadas (The Help, 2011), longa no qual Viola interpretou Aibileen Clark, uma empregada doméstica dos anos 60 que ajuda a expor a realidade das mulheres negras dos Estados Unidos. O filme é extremamente comovente e teve muita repercussão, rendendo à atriz premiações no SAG Awards e indicações ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA. A partir do longa, Viola Davis concretizou a imagem de uma atriz de personalidade marcante, dedicada em representar a força da mulher negra.

Grande parte de seu sucesso atual se deve a How to Get Away with Murder (2014-2018), série de televisão exibida pelo canal americano ABC. Viola interpreta Annalise Keating, uma advogada de defesa criminal e professora da Universidade de Middleton, na Filadélfia. O enredo se desenvolve a partir da convocação de cinco de seus alunos para trabalhar com Annalise em seu escritório e a história se desdobra em muito drama, relacionamentos e assassinatos. Sua atuação no seriado resultou em um Emmy, dois SAG Awards e indicações ao Globo de Ouro.

Viola Davis

(Divulgação)

Desde então, a atriz também participou do elenco de Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016), interpretando Amanda Waller e se consolidando no novo universo cinematográfico da DC Comics. No mesmo ano, houve o lançamento de Um Limite entre Nós (Fences, 2016), longa que garantiu o Oscar e o Globo de Ouro da atriz. A narrativa é um drama americano sobre um jogador de beisebol aposentado que trabalha como coletor de lixo para garantir sua sobrevivência e a de sua família.

Mesmo trabalhando ao lado de grandes atores, como Denzel Washington, Meryl Streep e George Clooney, Viola garante seu destaque, tendo sido eleita pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Não é para menos: sua atuação brilhante transmite a mensagem do empoderamento feminino e da representação negra e, por isso, aos 52 anos, Viola Davis é reconhecida mundialmente e aclamada pela crítica. O que resta ao público é aguardar seus próximos trabalhos, com a esperança de que sejam mais e mais sucessos.

por Gabriela Bonin
gabibonin@usp.br

 

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