Um passado (nem tão) mágico: Xuxa e os Duendes

por Juliana Lima
juslimas@gmail.com

Um (nem tão maravilhoso) passado mágico Xuxa e os Duendes 1 e 2 - 6Xuxa Meneghel, a “rainha dos baixinhos”, foi um sucesso da televisão brasileira nas últimas décadas. Além da TV e da música, a artista se arriscou também pelo universo cinematográfico. Apesar da repercussão de seus filmes ter sido grande quando foram lançados, a verdadeira contribuição da loira para o cinema é sua coleção de filmes trash, como Xuxa e os Duendes 1 (2001) e Xuxa e os Duendes 2 – No Caminho das Fadas (2002).

O primeiro filme da franquia conta a história de Kira (Xuxa), uma mulher cheia de dons estranhos, como sentir as mudança climáticas pelo cheiro do ar. Ela não lembra de seu passado, mas fica perto dele quando embarca em uma missão, na companhia de Nanda, sua amiga de dez anos, para salvar o duende Damiz (Leonardo Cordonis), sequestrado por um troll a mando de Gorgom (Guilherme Karan), um duende invejoso.

Damiz – futuro rei do mundo dos duendes – está preso na parede do quarto de Nanda e só pode ser salvo pelo Duende da Luz, desaparecido há anos. Na luta para salvar Damiz e consequentemente todo o mundo mágico, Kira tem ajuda de fadas, duendes e amigos humanos. O final é feliz e previsível: Kira é a Duende da Luz e salva o mundo mágico, mas permanece como humana para continuar sua missão original de lembrar os humanos sobre a força e importância da magia.

Além do enredo previsível, o filme conta com uma caracterização de personagens tão exagerada que chega a ser cômica. Algumas atuações não são nada boas, mas talvez fosse ingenuidade pensar que Luciano Huck, Gugu Liberato e Ana Maria Braga – ambos apresentadores de TV – fariam um bom trabalho como atores.

Ainda que considerando a época e o orçamento não hollywoodiano do fillme, não podemos ignorar os péssimos efeitos especiais. Destaque para a cena em que Kira fala olhando diretamente para a câmera, para o público, e pede que batam palmas se acreditam na magia, em uma tentativa frustrada de imitar Peter Pan.

No segundo filme da franquia, Xuxa e os Duendes 2: No Caminho das Fadas, Kira precisa combater bruxas que querem transformar os corações apaixonados em pedra, em resposta ao amor proibido de um duende com Epifânia (Deborah Secco), uma bruxa boa. Ela é novamente ajudada por fadas e duendes, mas dessa vez tem mais ajuda humana: Rafael (Luziano Szafir), o tio de Nanda, com quem Kira viverá um romance, e seus outros sobrinhos. Entre eles, Ana (Maria Mariana Azevedo), filha do amor proibido de Epifânia e que corre grave perigo nas mãos das bruxas más.

duende

De novo, o enredo é previsível e o bem vence no final. Mas esse não é o maior problema do filme, que sofre com uma dramatização forçada e personagens que comemoram tudo a todo momento, o que chega a ser levemente irritante.

Apesar de todos os defeitos, os filmes foram sucesso de bilheteria e encantaram muitas crianças. Talvez, isso seja mérito da falta de filmes infantis brasileiros, ao fato de a história mexer com um tema adorado pela faixa etária, a magia, ou ainda ao fenômeno que Xuxa era na época. Há inclusive, uma expectativa no fim do segundo filme para uma continuação que nunca foi realizada.

Fato é que Xuxa foi parte da infância de muitas pessoas e ver seus filmes é como voltar a tempos passados, seja com bons olhos e sentimentos saudosistas ou para ficar surpreso com o que já foi considerado um dos melhores filmes brasileiros.

Xuxa e os Duendes é, sem dúvida, um clássico filme trash que garante muitas risadas. Não pelas piadas ruins – que se salvam apenas pela atuação de figuras prestigiadas como Tadeu Mello e Cláudia Rodrigues -, mas por todo o resto: a caracterização peculiar dos personagens, como a de Vera Fischer como rainha fada (inclusive, com uso de um inapropriado e desnecessário blackface); dos efeitos especiais e cenários que parecem ser muito mais antigos do que realmente são ou do próprio enredo.

Para quem gosta de cinema trash e de rir do passado, a maratona de Xuxa e os Duendes com certeza vale a pena.

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